Nosotras, las Brujas

Somos as netas de todas as bruxas que NUNCA puderam queimar!

Os meios de reprodução: A Evolução da Opressão e Exploração das Mulheres

Esse texto foi traduzido do blog ”The Left Side of Feminism”, entretanto, fiz algumas adições (que poderão ser identificadas pelo itálico) para melhor entendimento e contextualização. As imagens também não estavam presentes no texto original.
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O marxismo sustenta ha bastante tempo que a classe trabalhadora vai encontrar a saída de uma vida de exploração quando dominar os meios de produção. Que apenas isso levaria à revolução e à verdadeira libertação dos trabalhadores. Em “A Dialética do Sexo”, Shulamith Firestone adaptou os argumentos marxistas para a realidade das mulheres, e como elas poderiam encontrar o caminho para a revolução e a verdadeira libertação feminina. Sua discussão sobre os meios de reprodução fala sobre a natureza da nossa opressão e exploração: a capacidade (ou presunção dela) de gerar crianças. Ou seja, a nossa natureza biológica.

Muitas pessoas argumentam que falar sobre a opressão das mulheres nesses termos é limitador e excludente. Alega-se que esses termos deixam de fora as mulheres que por algum motivo não podem ter filhos. Alega-se que esses termos excluam pessoas do sexo masculino que se auto identificam como trans. Eu digo que nenhum desses argumentos é relevante. A natureza da opressão e exploração das mulheres evoluiu ao longo dos milênios, mas continua enraizada numa verdade simples: a suposição de que todas as mulheres devem gerar filhos, e que esses filhos e as mulheres que os geraram são propriedade dos homens. Não importa se uma mulher específica teve um filho, quer ter um filho ou pode ter um filho; presume-se que ela seja “capaz” de ter filhos, e que inevitavelmente ela os terá. Presume-se que os filhos dessa mulher terão os nomes do pai, porque essa é a única herança importante.

Como eu escrevi anteriormente, e como muitos outros historiadores e pensadores escreveram no passado, a unidade familiar original da humanidade é a mãe e sua prole (matrilinearidade). Essa é a realidade da maioria dos mamíferos, aliás, da maioria dos animais, em geral. A mãe e a prole são a unidade primária. O clã é composto por parentes da fêmea. Machos ficam com o grupo até alcançarem maturidade sexual, então vão embora e se juntam a um grupo de fêmeas com quem não tenham laços sanguíneos, para propósitos de procriação. Nesta configuração não existe uma ligação “pra toda a vida” entre os pares de sexos opostos. Eles procriam, mas o pai não é considerado parte integrante. Na verdade, o pai pode até ser desconhecido, já que a fêmea pode ter tido relações sexuais com mais de um macho.

A maioria dos pensadores socialistas, junto a muitos antropólogos e historiadores, acredita que esta configuração começou a mudar quando os humanos começaram a se estabelecer em sociedades permanentes ou semipermanentes. Embora “A Origem da Família, Propriedade Privada e do Estado” tenha algumas falhas históricas (conferir link de explicação no final), Engels explora esse argumento por uma perspectiva marxista. A ideia é que o status social da mulher foi destruído quando os humanos começaram aquilo que chamamos atualmente de “civilização”. Esta civilização foi muitas vezes baseada na agricultura e na propriedade de terra. Sob arranjos socioeconômicos anteriores, havia pouco excedente. As sociedades caçadoras-coletoras, por exemplo, reuniam os alimentos que precisavam durante o momento presente e por um curto período no futuro (por exemplo, os meses do inverno). Nestas sociedades, as mulheres estavam frequentemente envolvidas na parte de adquirir alimentos, não só em sua preparação. Elas conseguiam fazer isso ao mesmo tempo em que geravam e criavam filhos; o esgotamento físico não era tão grande ao ponto de se tornar impeditivo. Isso dava a elas mais liberdade em suas vidas pessoais. Saber que você consegue sobreviver sem a ajuda ou proteção de outra pessoa é um requerimento primordial para a liberdade pessoal.

Foi apenas depois da invenção da agricultura que o excedente começou a ser reunido e a produção de comida se tornou uma tarefa fisicamente dificultosa. Não era mais tão fácil para a mulher se envolver em ambas as tarefas de adquirir comida e cuidar das crianças ao mesmo tempo. Esta mudança na produção de alimentos levou também a um sentimento de propriedade sobre a terra, a acumulação de bens e a negociação do excedente. Para tudo isso era necessário que a mulher tivesse um laço estável, uma relação de longo termo com um único homem. O papel essencial (ou exclusivo) do homem na produção de alimentos significava que os meios dessa produção se tornaram sua propriedade e domínio. E essa era uma propriedade que o homem queria que continuasse na família “dele”, que seguisse uma herança patrilinear. Como resultado, ele precisava garantir que as crianças nascidas da mulher “dele” fossem, de fato, crianças que tivessem a carga genética dele. Assim surge o desejo de controlar a reprodução e a sexualidade femininas. Ou seja, a busca para o controle dos “meios de reprodução”.
tabela mulheres

O crescimento do patriarcado pode ser visto com base no controle dos meios de reprodução. Como tais, a exploração e opressão das mulheres são consequências diretas da nossa capacidade de gerar crianças. Os mitos, métodos e desculpas para explorar e oprimir mulheres assumiram vida própria, mas eram e continuam sendo enraizados nesse fato. Aos poucos o patriarcado se tornaria arraigado, mas seu nascimento se deu por conta de convenções socioeconômicas (vinculadas aos homens). Organizações sociais e sistemas de crença surgiriam para reforçar o patriarcado. Tudo isso então conviveria em uma única e incestuosa relação.

Com a mudança da realidade socioeconômica, as mulheres se tornaram mais e mais ligadas ao fator que as diferenciava dos homens: nossas aptidões de gerar filhos. As muitas manifestações do patriarcado são construídas ao redor disso. Isso pode ser notado na visão da sexualidade feminina, na exigência social do casamento, nas violências masculinas contra a mulher, incluindo a sexual, na batalha contra a liberdade reprodutiva e na discriminação contra mulheres em áreas econômicas e políticas.

Para manter o controle sobre a sua propriedade, se assegurando de que ela passe apenas para os seus descendentes do sexo masculino, o homem precisou controlar a sexualidade da mulher. Isso foi feito de inúmeras maneiras. Em primeiro lugar, a sexualidade feminina tinha que ser pintada como se fosse perigosa. As mulheres tinham que ser convencidas de que o sexo não deveria ser desejado por uma mulher de virtudes. Tivemos que sentir na nossa carne que o sexo era uma coisa que fazíamos como uma obrigação para os homens, nunca para nosso próprio prazer. O sexo deveria ser basear no que traz prazer ao homem. Com isso, reforçaria as normas sociais de dominação e submissão, ensinando às mulheres que tudo em nossas vidas – até mesmo nossas interações sexuais – deveriam caracterizar nossa submissão aos homens.

Para manter este controle sobre a nossa sexualidade, tivemos que ser ensinadas que pertencíamos a apenas um homem, o ‘nosso’ esposo. A demanda pela castidade fora do casamento surgiu. A demanda pra que o casamento fosse o principal e único objetivo de nossas vidas se tornou central para a própria definição de “mulher”. Nós deveríamos fornecer aos homens nossos corpos e o fruto deles (as crianças). Em troca, os homens deveriam nos fornecer os meios de sobrevivência materiais (por isso o casamento enquanto ‘’contrato sexual’’). Se não estivéssemos vinculadas a um homem, seríamos forçadas a servir muitos homens para suprir nossas necessidades materiais. O que pode significar prostituição ou engajamento em uma religião patriarcal. De qualquer modo, não estamos autorizadas a sobreviver sem vínculos com homens.

Somando-se aos meios de sobrevivência, homens nos proveriam algo além: proteção. Proteção de quem e do que? Bem, de outros homens, claro. A ameaça da violência sexual e outras violências masculinas é uma ferramenta muito eficaz em manter mulheres amarradas a “bons” homens. Todas nós sabemos muito bem que somos vulneráveis a ataques. Isso é baseado puramente na nossa natureza biológica como mulheres, como desculpa. Quando nós somos vitimizadas, é quase sempre por homens. Essa vitimização é depois jogada para nós; nós somos culpadas pelas ações violentas desses homens. Isso pode significar ser forçada a se casar com um estuprador. Isso pode significar ser colocada em julgamento por “adultério”, se nós somos casadas ou se o estuprador é casado. Isso pode significar ser perguntada por que estávamos naquele lugar naquela hora fazendo qualquer coisa que estávamos fazendo. Isso pode significar que teremos alguém exigindo saber o que fizemos para provocar este homem. E qual é a solução para este problema? A proteção aos “bons” homens – pais, maridos, irmãos, filhos.

Já que todas essas coisas se entrelaçam com o controle das capacidades reprodutivas da mulher, torna-se lógico que a escolha reprodutiva seria a inimiga do patriarcado. Dar a mulheres o direito de controlar quando e quantos filhos teremos nega o controle masculino sobre nossos corpos. O direito sugere que nós somos seres humanos completos. Ele diz que nossos corpos e nossas crianças pertencem a nós. Também nega que a natureza essencial que o patriarcado nos atribuiu: os meios de reprodução. Os meios de criar novos trabalhadores, novos burocratas, novos guerreiros, novos influenciadores, novos manipuladores políticos, novos capitães da indústria. É por isso que a “velha dama”, a mulher sem filhos, é a pessoa mais rejeitada na sociedade patriarcal. Nós só temos um propósito dentro do patriarcado: dar a homens mais homens. Isso tem sido verdade independente se a estrutura econômica era feudalista ou capitalista, independente se a estrutura era monárquica ou pseudodemocrática.

Manter as mulheres distantes das esferas de influências políticas, sociais ou econômicas era tanto uma função de controle sobre nossa reprodução quanto uma maneira de perpetuar esse controle. Nossa capacidade biológica de dar à luz tem sido usada como uma desculpa para impedir que nos sustentemos economicamente. Disseram-nos que alguns trabalhos são fisicamente muito difíceis para nós. Disseram-nos que outros empregos são perigosos para nós devido a nossa capacidade de gerar crianças. Disseram-nos que, como mães e educadoras, nós não temos “natureza” para executar alguns trabalhos. Disseram-nos que a nossa natureza biológica e hormônios nos tornam emotivas e instáveis, logo inapropriadas para alguns trabalhos. Disseram-nos que tirar um tempo para dar à luz e educar nossas crianças é um fardo econômico injustificável para nossos potenciais empregadores; que nós eventualmente iremos querer um tempo fora para casar e para ter filhos.

  ‘’De fato, existe uma regra que não conhece nenhuma exceção e que desempenhou um papel crucial na forma em que se organizam as relações entre os sexos. Em todas as sociedades humanas conhecidas e, à medida que os traços arqueológicos possam nos informar a esse respeito, para todas do passado, a caça – pelo menos as suas formas mais sangrentas, as praticadas com a ajuda das armas mais eficazes – era reservada exclusivamente aos homens. Em todos os lugares e sempre, as mulheres foram excluídas dessa atividade e do manejo das armas mais letais. Ao contrário do que muitos acreditam, não é tão fácil explicar porque é assim. Todas as razões “naturais” que são geralmente invocadas (mobilidade reduzida devido à maternidade, necessidade de proteger as mulheres devido à sua importância para a reprodução do grupo) têm, na verdade, algo de insatisfatório. Se, a rigor, elas podem explicar porque as mulheres são afastadas temporariamente de tal ou qual forma de caça (como seria o caso de um homem doente ou ferido), elas não explicam porque, em todas as sociedades conhecidas, é o simples fato de ser mulher que a proíbe, por toda vida, de se aproximar de uma arma cortante ou caçar grandes animais. Além disso, nenhum povo explica as proibições de que as mulheres são objeto através de considerações práticas. Todos invocam crenças magicorreligiosas. Sem levantar uma resposta definitiva a essa questão, que continua sem resolução até o momento, o que se pode ter certeza é que o monopólio masculino sobre a caça e as armas deu aos homens em todos os lugares uma posição de força em relação às mulheres. O sexo que detinha o monopólio das armas exercia, por isso, um monopólio sobre o que poderíamos chamar de “política externa”, ou seja, a gestão das relações, pacíficas ou belicosas, com os grupos vizinhos. Ora, para a maioria das sociedades primitivas, essa questão é tão onipresente quanto vital. Privadas das armas com que poderiam se defender, as mulheres ficaram, por toda parte, reduzidas ao papel de instrumentos nas estratégias dos homens.’’ (DARMANGEAT, Cristophe)

Claro, isso é um círculo vicioso. Mulheres têm sido excluídas dos meios de obter sucesso ou mesmo de sobreviver em sociedade, independente do sistema socioeconômico de tal sociedade. Então, o fato de nós não alcançarmos sucesso no mesmo grau que os homens é considerado prova de que nós não somos capazes; que as atitudes e práticas patriarcais estavam todas certas. Com o advento dos meios de produção tecnológicos, isto diminuiu em algum grau, mas ainda existe. Ainda nos dizem que mulheres não conseguem os mais altos cargos no governo ou nos negócios porque nós gastamos muito tempo para cuidar de filhos.

Uma prática ainda mais perversa é relacionar nossa natureza biológica ao gênero socialmente construído e à expressão física das normas de gênero. O conceito de feminilidade é culturalmente ligado à submissão, representação física da nossa biologia (isto é, a acentuação dos seios e da forma “feminina” são o que nos tornam seres humanos de valor), expressões de comportamento acolhedor, e uma disposição para se autossacrificar em prol dos outros, entre outras coisas. Todos estes conceitos que estão atrelados ao gênero feminino são baseados nos requerimentos patriarcais colocados sobre nós por causa de nossa natureza biológica enquanto progenitoras. Gênero é mais uma peça na caixa de ferramentas de nossa opressão e exploração.

Algumas pessoas adotaram a noção errônea de que gênero é parte integrante da luta pela libertação das mulheres. O registro histórico e os anos de luta por direitos políticos têm provado que nossa opressão e exploração é baseada em nossas capacidades percebidas enquanto progenitoras, de modo que uma luta baseada em gênero nunca vai libertar as mulheres. Continuaremos a ser oprimidas com base nessa capacidade — independente de, como mulheres individualmente, querermos ou não ter filhos —, logo tal tática está condenada desde o início. Devemos reconhecer que as raízes de nossa opressão residem em nossa biologia, e nas tentativas de se controlar essa biologia. Não nos tornaremos livres ou seguras sendo mais ou menos femininas, uma vez que a feminilidade é algo criado na tentativa de justificar e reforçar nossa opressão. Somente nos tornaremos livres tomando o controle de nossa própria biologia, atacando a ideologia que dá aos homens opinião no controle de nossa sexualidade e de nossa reprodução. E desfazendo as estruturas que permitem aos homens usar nossa biologia como uma desculpa para nos manterem longe dos lugares de poder, seja esse poder econômico, social ou político. Isso significa atacar vieses culturais profundamente arraigados sobre o que significa ser uma potencial progenitora.

  ‘’Já se sabe há muito tempo – Engels já o explicava de maneira límpida – que a “igualdade” jurídica (tão mal nomeada) não é igualdade real (também mal nomeada): ela é apenas a condição necessária. Assim, esta “igualdade” real será sinônima de uma completa identidade entre os sexos ou, para utilizar um vocabulário mais moderno, da desaparição dos gêneros: na sociedade, homens e mulheres terão não somente os mesmos direitos, mas sim ocuparão, nos fatos, um lugar idêntico. Os dois sexo efetuarão indi-ferentemente os mesmos tipos de estudos, os mesmos trabalhos e os mesmos tipos de tarefas não remuneradas. Não haverá mais focos de interesse, nem profissões nem lugares, nem atitudes “de homens” e “de mulheres”. Eis porque alguns puderam dizer que o ideal moderno de igualdade entre os sexos é, de alguma forma, o de uma sociedade assexuada (no sentido de livre de classes sociais de sexo, ou como conhecemos, gênero)’’ (DARMANGEAT, Cristophe)

Livrar-nos da exploração e da opressão não é uma tarefa fácil. Não se trata apenas de acabar com o patriarcado. Não é só acabar com o capitalismo. Devemos acabar com ambos ao mesmo tempo. Devemos exigir que os meios de reprodução sejam tomados e controlados por quem executa o trabalho. Devemos desmantelar as estruturas presentes que buscam dar aos homens e às sociedades construídas sobre filosofias patriarcais o controle de nossa reprodução. Somente o Socialismo pode tornar isso possível. Somente em uma sociedade em que as mulheres e seus filhos têm garantidos o direito e a habilidade de sobreviver e prosperar — independente de estarem atreladas a um homem — as mulheres poderão ser livres da exploração e da opressão.

Enquanto isso, devemos destruir as estruturas de suporte que vêm elas próprias tirando vidas. A religião patriarcal, o conceito de gênero, a violência masculina contra as mulheres — tudo isso e mais servem para nos manter entrincheiradas em um mundo onde as mulheres não são valorizadas. O lugar onde o Socialismo falhou no passado é aquele em que focou apenas nas estruturas econômicas e nas filosofias da sociedade. A ascensão do patriarcado pode estar ligada à evolução socioeconômica, mas ele ganhou vida própria. Essas ideologias e estruturas, que se baseiam em nossa biologia, devem ser atacadas e destruídas.

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Original em: https://theleftsideoffeminism.wordpress.com/2012/12/21/350/

Links e Referências:

Livreto do antropólogo marxista Cristophe Darmangeat ‘’A opressão das mulheres no passado e no presente para acabar no futuro! Uma perspectiva marxista.’’
http://rodrigosilvadoo.blogspot.com.br/p/blog-page.html

Livro ‘’A Dialética do Sexo’’ de Shulamith Firestone:
Parte I: http://pt.slideshare.net/tamaralessa/a-dialtica-do-sexo-parte-i
Parte II: http://pt.slideshare.net/tamaralessa/a-dialtica-do-sexo-parte-ii

Livro ‘’A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado’’ de Friedrich Engels:
http://copyfight.me/Acervo/livros/ENGELS,%20Friedrich.%20A%20Origem%20da%20Fami%CC%81lia,%20da%20Propriedade%20Privada%20e%20do%20Estado.pdf

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Sobre pornografia: quando o discurso liberal se passa por libertador.

Gostaria de compartilhar aqui o capítulo intitulado ”Acerca do pornográfico: O que se fala, o que se cala…” do livro ”O que é pornografia?”, de 1984, das autoras Eliane Robert Moraes e Sandra Maria Lapeiz. Penso que as autoras entraram em uma contradição ao concluir esse capítulo e explicarei o motivo depois. Mas vamos ao texto:

” Vamos imaginar um debate. Desses debates bem calorosos onde cada participante defende sua posição apaixonadamente. A ferro e fogo. O tema, claro, é a pornografia. Mas quem são nossos ilustres convidados? Vejamos.
De um lado temos alguns editores de revistas pornográficas – os ”pais da criança” propriamente ditos! São todos homens, muito bem vestidos (o que sugere um negócio rendoso) caracterizando-se sobretudo por um tipo de vocabulário – que se a princípio parece cômico, logo verificamos um ranço bastante preconceituoso – falando num tom de galhofa, também bastante característico… (Será coincidência que sejam todos do sexo masculino?). Outra coisa: eles parecem que estão sempre se divertindo – ”Seriedade, só com a mamãe”, diz um deles, enquanto outro salienta que ”vai trocar a mulher de 40 por duas de 20”… Logo à entrada já vão se posicionando: são com-ple-ta-men-te favoráveis à liberação sexual, a que um deles complementa: ”especialmente para aquela minha vizinha da cobertura…”
De outro lado temos um respeitável grupo de senhores e senhoras, de famílias tradicionais, que dizem defender a moral e os bons costumes, argumentando com orgulho que vários deles participaram da ”Marcha com Deus e pela família” em 1964. Ao se depararem com os editores pornográficos, eles fazem menção de se retirar, dizendo que gostariam de debater com gente decente, pais de família, pois afinal eles têm um nome e uma reputação a zelar… Um dos senhores fica especialmente temeroso por causa da filha de insistira em acompanhá-lo ao debate: moça de família, que acabou de debutar na sociedade e pode chocar-se com as declarações desses rapazes de má índole.
Chega finalmente um pessoal mais descontraído. Calça jeans e camiseta (será uniforme?), todos muito à vontade. São os integrantes dos chamados grupos minoritários, neste caso feministas e homossexuais. Falam e gesticulam muito sem preocupar-se com a reação à sua chegada: os editores fazendo mil piadinhas maldosas e os conservadores cuidando para não se misturar, certamente para evitar contaminação…
Debate iniciado. Temos três posições na mesa, três diferentes discursos. Se fazem representar: A Moral, A Libertinagem e A Libertação. Entre elas, uma tensão.
É pedido a cada qual que defina pornografia. Dizem os libertinos: pornografia é liberação do sexo, e deve ser mais e mais incentivada. Retrucam os conservadores: pornografia é pura licenciosidade e deve ser absolutamente reprimida. O grupo libertário vai complicar o debate, criticando a transparência dos discursos anteriores: a pornografia é um fenômeno ambíguo, pois se de um lado libera a sexualidade, o faz numa perspectiva redutora, transformando as pessoas em objetos. Mesmo assim esse grupo recusa-se a prescrever uma norma para pornografia.
O debate está pegando fogo. Os conservadores acusam os editores e os libertários de pregar a dissolução da família, de ultraje ao pudor e de inimigos da boa moral. Os editores libertinos acusam os moralistas e as feministas de frustrados na cama, de inimigos do prazer e de não conseguirem curtir a vida numa boa… Finalmente os libertários acusam os outros dois grupos de exploradores da mulher e do homem, de estarem ambos fazendo o jogo do poder, e de reacionários! A gritaria é tal que já não se pode ouvir mais nada. Vamos então tentar por nossa conta pensar cada um destes discursos separadamente. Vamos ver o que eles tentam dizer e o que defendem. Vamos supor quais são seus pressupostos.

O discurso da moral

Moral deriva do latim ”mores”, que quer dizer costumes. A moral refere-se pois aos hábitos, à vida social, à cultura de um povo. Mas vale a pena perguntar: de onde teriam surgido esses costumes, essas formas de ser em sociedade? E como é que alguns deles transformaram-se nas rígidas regras da moral que hoje conhecemos?
Vamos indicar algumas das respostas que têm sido dadas a essas perguntas. Há, por exemplo, a versão cristã que diz que tudo começou com Adão e Eva. E a maçã, obviamente. O ser humano vivia num paraíso onde nada lhe faltava e onde gozava de liberdade plena. Uma só restrição: havia um, apenas um, fruto proibido. Num cochilo do criador, Eva tentou e Adão topou. Daí a desgraça: como condenação, o trabalho, e como penitência, a culpa, que desde então passou a perseguir todo desejo humano. E o homem nunca mais gozou da felicidade natural; pelo contrário, ficou sujeito a normas para manutenção da vida social já que do paraíso ele fora expulso. E assim foi obrigado a reprimir seus impulsos naturais, para os que contribuíram bastante as regras da moral. E quanto mais rígidas, mais eficazes…
Não muito diferente dessa, uma outra versão diz que ao viver num ”estado de natureza”, os homens podiam dar vazão a todos os seus instintos livremente. (O que inclui não só os instintos eróticos, mas também os agressivos.) Cada um por si, e ponto final. O que importava a cada qual era satisfazer as suas próprias necessidades; as do vizinho (se é que havia vizinhos!) não estavam no rol das suas preocupações. A partir do momento em que eles decidem instaurar um estado de sociedade para garantir sua segurança e sua propriedade, eles passam a ter que aceitar as proibições e acatar as regras de comportamento e de respeito ao próximo. A transgressão a essas regras passou a configurar-se como erro ou crime, e a sociedade, para resguardar-se, criou formas de punição e castigo. Assim, o homem em sociedade teve que moldar-se, controlar-se, conter-se. O prazer foi limitado em função do trabalho e a repressão tornou-se a regra infalível. Mas, ele nunca conseguirá esquecer a liberdade de outrora e irá sempre evocá-la, seja em sonho, ou fantasia…
Uma terceira versão, esta já mais antropológica, é de que tudo começou com o tabu do incesto. Os homens viviam em tribos, sem se comunicarem uns com os outros. Com o passar do tmpo, a necessidade da troca de impôs não apenas para a sobrevivência, mas para o próprio desenvolvimento tecnológico de cada grupo. Para garantir a troca, cada qual instituiu seu próprio conjunto de regras, visando um objetivo comum: o casamento fora do grup ou, se preferirmos, a troca de mulheres. Com isso, homens e mulheres ficaram sujeitos a regras que mais tarde incidiram não só na vida matrimonial, mas em quase todos os aspectos da vida social.
Podemos verificar, nas três versões, um ponto em comum: todas elas concordam com a ideia de que civilização é repressora; isto é incontestável. Seja qual for a cultural, seja qual for a etnia, seja qual for a época, sempre há regras que impõem o modus vivendi em sociedade. Dessa ninguém escapa! Os instintos naturais serão sempre atenuados e o prazer irremediavelmente reduzido em nome do trabalho e do desenvolvimento da humanidade. Lucrando e perdendo, simultaneamente, ele, o agente desse processo: o homem. Por essas razões, Freud identificou uma aversão humana natural ao trabalho, pois este submeteria o princípio do prazer ao princípio da realidade, domesticando-o para a vida social. Daí, o tal ”mal-estar na civilização”…. Mas a sociedade requer, além da renúncia aos prazeres imediatos, também o impedimento à livre manifestação dos instintos agressivos inerentes a todo ser humano. Essa repressão é vista por Freud como a condição de possibilidade da cultura e da civilização.
OK. Aceitamos que a civilização é repressora. Isso não é nada difícil. Mas, sem duvida, o leitor concordará que, repressão por repressão, é melhor ser reprimido na Suécia dos anos 70 do que na Inglaterra vitoriana. É preferível ter vivido na Itália renascentista do que no Chile de Pinochet. São mais aceitáveis as normas dos que realizaram as barricadas de 60 em Paris do que as dos que ”Marcharam com Deus pela Família” em 1964 no Brasil…
Podemos então dizer que cada sociedade adapta o prazer ao princípio de realidade de modo singular. E à repressão original dos instintos, muitas vezes somam-se tantas outras formas de repressão, essas últimas nem sempre necessárias à manutenção da vida social, mas visando fortalecer o poder construído (seja ele do Estado, da Igreja, do capital ou da família).
A moral pode pois ser mais ou menos repressiva, de acordo com as circunstâncias da história. E esse ”mais” ou ”menos” é que faz uma imensa diferença na qualidade de vida dos cidadãos. A época vitoriana, por exemplo, com seus exagerados ideais de pudor, confinou o prazer à alcova dos pais que, legítimo casal, deveria observar apenas e tão somente a finalidade de procriar. É nessa época que se cristaliza o discurso sobre a distinção da sexualidade ”normal” – a organização genital que objetiva a reprodução – da sexualidade ”perversa” – formas improdutivas de prazer que esbanjariam energia sexual, caracterizada como desvios da normalidade. O ”perverso” é logo identificado com o patológico em oposição aos padrões ditos normais da sexualidade. Essa ideia de perversidade acaba por estabelecer o estereótipo do heterossexual como paradigma da normalidade e, claro, condizente com as regras vigentes para a manutenção da família e da procriação. ”Crescei e multiplicai-vos!…” – Eis a receita obrigatória.
Retomando a questão inicial, veremos que a moral não é então (ou pelo menos não tem sido nas nossas sociedades atuais) apenas uma lei dos costumes, mas sim uma imposição autoritária de rígidas formas de comportamento. Não fosse assim, como entendermos a censura? Afinal, ela fala em nome da moral e dos bons costumes, salvaguardando os interesses das amadas privilegiadas da sociedade, e contribuindo sempre para que a balança pese do lado mais forte.
Essas medidas totalitárias pretendem aniquilar toda consciência crítica, preparando o ser humano para a submissão, e sobretudo para a grande renúncia exigida pelas sociedades que se norteiam por essa estratégia de moralização. Aí reside, aliás, um exercício de poder bastante eficaz. Penetrando na vida cotidiana, ele se exerce sobretudo nos corpos dos cidadãos, tornado-os úteis e produtivos, para viver de maneira auto-vigilante e persecutória. E a moral, devidamente interiorizada, acaba sendo considerada ”uma coisa natural’, a regra passa a ser ”o normal”, e o proibido é instaurado para organizar as perversões. Tudo no seu devido lugar…

O discurso Libertino (liberal)

A afirmação de que o discurso libertino é fruto das sociedades capitalistas não nos parece a mais acertada. Basta remontarmo-nos a Sade, o libertino mor do século XVIII e a alguns outros exemplos que apresentamos no capítulo anterior. Mas uma coisa é certa: as sociedades capitalistas souberam utilizá-lo como ninguém.
O que diz o discurso libertino? Fala de sexo, é claro. Abertamente. Mas não só fala: expõe, exibe, impõe, reduzindo tudo ao imperativo erótico; estimulando os corpos e dizendo libertá-los da moral. Muito bem: só que o faz colocando nas garras do consumo. E para isso desenvolve várias estratégias que se articulam, induzindo a sexualidade a manifestar-se cada vez mais e submetendo-a a um controle velado. Não se trata aqui de proibição, mas pelo contrário, da própria produção da sexualidade. Basta nos reportarmos à proliferação de revistas eróticas, sex-shops, pornovídeos, e toda a variada panacéia produzida pela indústria pornográfica.
Ora, o discurso libertino fixa padrões para a transgressão, e é dessa forma que a organização da sexualidade nas sociedades de massa passa a obedecer aos princípios da produção e do consumo. Essa ordenação do obsceno vai implicar numa delimitação do que seja a pornografia, e seja o que for deve sempre parecer proibida. É como interdito que ela deve ser consumida, pois ela dá forma discursiva e vazão catártica às fantasias reprimidas de seus consumidores, transformando seus fetiches em desejos.
Sem dúvida, o grande ”esforço” das nossas sociedades de massa foi o da difusão deste discurso para o chamado grande público. Lançando uma cortina de fumaça sobre a repressão, o atual discurso libertino atua no sentido de incentivas a prática sexual no seu sentido estrito; o que interessa é a performance, o importante é o desempenho na cama, a eficácia preconizada pela sexologia. Assim, capitalismo e consumismo se conjugam para normatizar nossa sexualidade, eliminando sobretudo a diferença. Amor-mercadoria pressupõe um equivalente geral: o corpo. Todos os corpos se equivalem: máscaras do desejo, objetos de gozo. Numa palavra: intercambialidade. A modernidade impõe suas regras, adaptando a velha sexualidade padrão às sociedades atuais: ”amor-livre” obrigatório, é esse o paradoxo de nossos dias.
Se compararmos a liberdade sexual de hoje com, por exemplo, a dos puritanos ingleses não demoraremos a concluir que houve realmente uma grande evolução. A liberalização da moral é um fato, com o consequente afrouxamento dos costumes. Mas e a repressão, terá terminado? Arriscamos a sugerir que não. O que há, na nossa opinião, é uma mistificação da repressão, que conduz os indivíduos a uma liberdade condicional, sob vigilância de esquemas reducionistas.
Se o homem moderno liberou-se muitas vezes essa liberdade foi realmente consumida e de forma compulsiva, como convém às sociedades de consumo. Um exemplo típico são as revistas pornográficas: cada página folheada pede outra, cada foto é uma chamada para outra, cada publicação anuncia o número seguinte. Prometendo sempre mais; e na verdade repetindo os velhos slogans e clichês. Repetindo compulsivamente os mesmos ciclos, o indivíduo vive um equilíbrio sufocante protegendo-se dos perigos do novo, do inusitado. E assim, os impulsos vão se disciplinando e a satisfação, ainda que reduzida, é garantida na repetição daquilo que lhe é conhecido.
Essa liberdade entre aspas, muito longe de representar um afloramento do instinto de prazer, produz uma satisfação pré-fabricada, descartável e imediatamente reposta pela máquina do consumo. Ciclo vicioso interminável, incentivado por uma indústria que organiza a transgressão e domestica o desejo. A palavra de ordem é: exibir para controlar.
A indústria pornográfica é poderosa. Na América do Norte, por exemplo, sua receita é quatro vezes maior do que a cadeia de restaurantes ”Mc Donald’s” e alguns dados revelam que nos últimos doze anos, ela aumentou seu faturamento em mil vezes! Também nos EUA calcula-se em 200 o número de publicações pornográficas mensais e mais 50 títulos dedicados apenas ao público homossexual, o que já fez alguns editores milionários! Veremos mais a frente que no Brasil a coisa não fica por baixo: nossos números também são estarrecedores! E o que dizer então da Dinamarca ou da Holanda, países que atraem milhões de turistas sedentos por experimentar as novidades do mercado pornográfico? Sem dúvida, um rendoso negócio. E em plena expansão. Mexendo com os corpos, fazendo as cabeças e enchendo os bolsos…

O discurso Libertário (ou revolucionário)
Se considerarmos o discurso libertino como a outra face do discurso da moral, veremos que é na articulação entre ambos que se encontram as tais garras do poder. Mais exatamente: é ali que o poder reside, pois ainda que possamos identificar uma tensão entre esses dois discursos – exemplificada pela censura, as proibições e outras formas de repressão – eles sem dúvida fazem parte de uma mesma estratégia.
E que estratégia é essa? A estratégia da sexualidade, diria o filósofo francês Michel Focault, inaugurada pelas sociedades burguesas que se instalaram na Europa a partir do século XVIII. Complementaríamos nós: sociedades burguesas e patriarcais, pois esse processo de moralização, abrigando às vezes diferentes discursos (uma pseudo democracia?), se desenvolve privilegiando uma dominação: a da mulher. É nessa época que o comportamento burguês de ”bons costumes” se cristaliza, procurando mascarar a latente ideologia machista da ”dupla moral”. A mesma dupla moral que permite com que coincidam os discursos libertino e moralista, orientando os dois grandes estereótipos femininos da cultura patriarcal; de um lado santa-mãe, e do outro, a prostituta-pecadora.
É para criticar essa realidade que se constitui um terceiro discurso: o daqueles que propõem uma nova ordem para a sexualidade recusando-se a aceitar os estereótipos tradicionais que se pautam pelos estigmas do ativo e passivo, que tão bem se prestam a situações de dominação. Falamos aqui dos discursos libertários proferidos geralmente pelas feministas e pelos integrantes de grupos homossexuais.
Trata-se de um discurso bem mais rico, pois de um lado incentiva a libertação sexual – como os libertinos – mas de outro critica com veemência a indústria pornográfica – como os conservadores. Mas, na verdade, não concorda nem com um, nem com outro. Muito pelo contrário: o que os libertários querem é operar um deslocamento estratégico no campo da sexualidade. Querem reinventar o erotismo, fabricar novas formas de prazer, libertar o perverso, resgatar o desejo. Querem conjugar amor e sexualidade. Utopia? Quem sabe, talvez até uma utopia realizável…
É importante observarmos que os propósitos de liberação sexual não se esgotam então nos mecanismos de poder das sociedades de massa. É isso pelo menos que o discurso libertário vem nos dizer. Embora muitas vezes possa ser confundido com o discurso libertino, ele aponta para uma outra direção e aposta num outro destino para a sexualidade humana. Por isso mesmo o discurso libertário é bastante rico em relação à pornografia.
E o que ele mostra?
Mostra, por exemplo, que a mulher é explorada no mundo da pornografia. Mostra igualmente que os textos pornográficos parecem ser sempre organizados do ponto de vista masculino. Mostra também que a pornografia veicula uma propaganda contra as mulheres e homossexuais, seja hostilizando-os, seja ridicularizando-os. Mostra enfim que a pornografia é machista, permitindo a realização a nível do imaginário masculino, da necessidade de degradação da mulher. E mostra sobretudo que as imagens pornográficas muitas vezes insinuam a violência contra a mulher.
”Pornografia é a teoria, e o estupro é a prática” – denunciou uma feminista americana (**a feminista no caso é a Andrea Dworkin, mas elas não citam, não sei o motivo, só sei que achei um baita descaso**). Mas, pensando bem, talvez faltem fundamentos para essa afirmação, pois sabe-se muito pouco acerca de como as pessoas são atraídas pela pornografia, e de que forma se dá sua experiência com ela. Vale perguntarmos: O que acontece realmente com quem se impõe a doses maciças de material pornográfico?
Respondem algumas feministas que a pornografia – especialmente aquela que veicula cenas de carater sadomasoquista – na melhor as hipóteses altera a percepção da sexualidade e aumenta a insensibilidade à violência sexual. Já as mais radicais apostam que a pornografia pode mesmo orientar a prática de tais violências, como acredita a autora da frase acima citada (**não sei por qual diabo de motivo novamente invisibilizaram a Dworkin**). Por sua vez, um grupo feminista dinamarquês apresenta os dados de seu país onde o número de crimes sexuais contra as mulheres sensivelmente desde que a pornografia foi legalizada, em 1969.
É inegável que sexo e violência tem sido uma fórmula bastante utilizada pela indústria pornográfica nos seus mais variados gêneros de produção. Mas isso não quer dizer que a pornografia desemboque necessariamente em violência. Há uma série de questões que precisam ser respondidas antes de se afirmar isso de forma categórica. Afinal, o que nos garante que a pornografia não realize as fantasias de seu consumidor, apenas no imaginário? (**Aqui existe uma contradição. Elas não acabaram de dizer que assistir a pornografia, que é misógina, torna as pessoas mais insensíveis pra violência?**)
A oposição à violência contra a mulher é uma coisa óbvia. Já a oposição à pornografia é matéria bem mais complexa. Isso porque pornografia representa fantasia (ou será que pornografia representa, reproduz e reafirma modo de sexualidade opressiva dominante na sociedade?), e além disso é ela um fenômeno que ainda carece de definição satisfatória para nós. Por essa razão, algumas feministas, mais cuidadosas ao tratarem o tema, preferem levantar questões antes de levantar os dedos em riste… Com isso, evitam cair na armadilha de fórmulas fáceis que acabam por coincidir com os discursos mais conservadores de defesa da censura. Trata-se pois de aprofundar a análise das fantasias masculinas, ultrapassando sua mera superfície. E, se as fantasias podem ser pensadas como disfarces, o que estaria por trás delas?
Isso tudo não invalida a luta travada contra a exploração da mulher pela pornografia. Há, na verdade, uma exploração dos corpos, em geral (ainda que a mulher continue sendo a grande vítima). Portanto, as novas propostas de interpretação da pornografia não significam uma negação das denúncias feitas até agora. A pornografia é sim misógina, e tem grande alcance, e por isso mesmo é necessário aprofundar as reflexões sobre ela.

–>Enfim, o discurso libertário hoje preocupa-se em pensar uma alternativa para a pornografia , ou pelo menos para esta produção que aí está privilegiando os órgãos em detrimentos dos corpos, e os corpos em detrimento dos seres. Talvez o que se precise – pelo menos para começar – seja de uma pornografia mais democrática: que represente não só as fantasias masculinas, mas também as femininas e homossexuais (parece que as autoras não consideram que as próprias fantasias masculinas e femininas estão pautadas em valores patriarcais, isso porque, como já sabemos, ambos os ”polos” de ”papéis” são frutos da nossa cultura e sociedade, inclusive, as fantasias homossexuais não estão de fora dessa já que o que predomina é a heterossexualidade compulsória, logo, a dicotomia ativo/passivo). Que todos os desejos possam expressar-se, e vive la difference!  <–

Coloquei setinhas indicando o ultimo parágrafo desse capítulo porque foi um tipo de facada no peito. O meu radar de liberalismo explodiu! O motivo é que elas afirmam que o discurso da libertação vem principalmente de feministas e concluem que é papel das mesmas pensar um novo tipo de pornô. Mas supondo que isso realmente acontecesse, o que aconteceria seria que essa ”pornografia alternativa” nos meteria num beco sem saída. Primeiro porque seria algo pouco divulgado (e, caso fosse divulgado, certeza que ou reproduziria e afirmaria o que já está aí, ou se tornaria apenas mais um nichozinho pornográfico) e para a divulgação teríamos que concorrer com essa indústria que aí está. E eu pergunto: é papel da luta feminista vender imagens/vídeos de mulheres e vender um molde de sexualidade, mesmo que seja ”alternativo”? Já não é isso que o capitalismo patriarcal (e vice-versa) faz? É nosso papel enquanto movimento de LIBERTAÇÃO (e não liberação) nos aliarmos aos moldes do sistema? Isso é ser libertária? Isso é ser revolucionária?

Consigo até imaginar ”o bonequinho do capitalismo patriarcal” balançando a cabeça e levantando os bracinhos dizendo ”sim”.

Pois eu digo que não.
NÃO NOS ASSIMILARÃO!

Fazer do feminismo uma ameaça ao patriarcado, ao capitalismo e toda forma de exploração!

Pra mais informação e notícias sobre os malefícios da pornografia, curta no Facebook: Desvendando A Pornografia.

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A indústria que, silenciosamente, lucra bilhões com a exploração de mulheres e crianças e que deveríamos lutar contra.

Digamos que há uma indústria por aí.

Digamos que o lucro dessa indústria, só nos EUA, é de mais ou menos $13.3bi. Colocando numa perspectiva, é mais que a NFL, NBA e MLB juntas. É um valor mais alto que a NBC, CBS e ABC. Juntas.

Digamos que há uma indústria com uma movimentação de dinheiro maior que a Google, a Microsoft, a Amazon, o eBay, o Yahoo, a Apple e o Netflix juntos (e isso deveria te deixar muito, muito assustado).

O poder mundial de mercado dessa indústria é de $97 bi, assim, apenas caso 13.3 bilhões não fosse assustador o bastante.

Colocando em perspectiva? Os Emirados Árabes (onde óleo é literalmente mais barato que água) tem um PIB de $71.2 bi.

Se essa indústria fosse um país, ela seria capaz de COMPRAR o Egito. Ou a Venezuela. Se essa indústria fosse um país, seria o 36° no ranking mundial.

Agora digamos que essa indústria seja praticamente inteira sem regulamentação. Sem sindicatos, sem comitês, sem nenhum tipo de cuidado. O governo não fiscaliza e não se importa.

Digamos que eles tem seus dedos em todas as tortas possíveis, e que esperam que esse lucro apenas cresça com o passar dos anos.

Agora digamos que essa indústria sem regulamentação e de livre mercado tem a estatística seguinte:

* A expectativa de vida entre os trabalhadores dessa indústria é de 36.2 anos (isso é menos da metade da expectativa de vida nos EUA, que é de 78.6 anos).

Agora digamos que dentro dessa indústria, 66% de seus trabalhadores tem doenças contagiosas que podem diminuir sua qualidade de vida substancialmente, e que 1 em 10 tem uma doença que, hoje em dia, é uma sentença de morte (HIV).

Agora digamos que não existem exames obrigatórios ou balanços feitos pelo governo que assegurem que essas doenças não se espalhem por todos os trabalhadores dessa indústria; apenas um ou outro – que são pagos pelo próprio trabalhador. Nós também sabemos que 70% dessas infecções ocorrem em mulheres (principalmente mulheres com idades entre 18-26 anos), uma taxa 10x maior que na população geral.

Agora digamos que essa é uma indústria que basicamente reescreve seu cérebro. Ela muda como você vê os outros e a si mesmo.

Agora vamos chamar essa indústria do que ela realmente é:

PORNOGRAFIA.

Olha, eu não sou nenhuma beata. Eu não me baseio em fontes religiosas – eu critico a pornografia com bases humanistas e realistas. Eu não posso, eticamente, dar suporte à uma indústria que literalmente intercepta como seu cérebro processa excitação sexual para seu próprio benefício.

Por exemplo: seis horas de pornografia não-violenta começa a afetar o desejo do indivíduo por intimidade física (estranhamente, esse desejo diminui). Aparentemente, parece que ao invés de encorajar atividade sexual saudável, pornografia diminui sua capacidade de se envolver nela.

E como se isso não fosse ruim o bastante, de todos os 50 vídeos pornôs mais vendidos (totalizando 304 cenas), 90% incluem violência física contra a estrela; uma análise adicional mostra que desses 90%, 94% desses atos são cometidos contra a mulher.

Adicionalmente, outra pesquisa mostra que 9 em 10 homens consomem pornografia. O maior grupo de homens consumidores de pornografia online (o segmento desse mercado que mais cresce) é da faixa etária de 12-17 anos, o que significa que garotos que sequer podem dirigir carros estão reescrevendo a topografia de seus cérebros e se expondo à mídia na qual é totalmente aceitável cuspir, bater e ejacular em uma mulher.

Na verdade, um estudo de 2005 feito por Zillman e Bryant examinando as conexões entre consumo de pornografia e agressões resultou em uma prova tão clara dessas conexões que, por regulamentos éticos, esse estudo não pode ser reproduzido devido à inevitabilidade de prejudicar os indivíduos estudados.

Vamos repetir que:

Pornografia é tão nociva, de forma conclusiva e prejudicial, que o estudo provando essas conexões nunca foi aprovado. Isso o coloca na mesma posição que o Experimento Prisão Stanford, que quase resultou na morte dos indivíduos envolvidos.

Outro estudo, com o título de “Os Efeitos da Pornografia nos Relacionamentos Interpessoais” pela Ana Bridges na Universidade do Arkansas, notou que homens que viram QUALQUER amostra de pornô são mais inclinados a:

* Demonstrar falta de empatia por vítimas de estupro

* Acreditar que mulheres que se vestem “provocativamente” merecem ser estupradas

* Mostrar raiva contra uma mulher que flerta mas não quer fazer sexo

* Experimentar queda substancial no desejo por suas parceiras

* Demonstram interesse crescente em coagir parceiros em algum tipo de sexo não desejado

(O ultimo, só caso você não sabe, é conhecido pelo termo Estupro. Sabe, só pra ficarmos todos a par de tudo.)

Se isso não te deixar enjoado, acredito que nada irá.

O que torna isso tudo ainda pior é que, de todos os segmentos do mercado pornográfico, a pornografia infantil é a que mais cresce, com 60% dos domínios hospedados nos EUA. Apenas em 2008, a Fundação Internet Watch encontrou 1540 domínios individuais de pornografia infantil – e acredita-se que há muitos outros domínios escondidos na Us Enet e nos sites da Deep Web em que não se pode acessar usando um buscador comum.

Incidentalmente, a pornografia infantil teve um aumento de 82% na indústria de 1994 a 2006, implicando que não só o acesso ficou mais comum mas também que a porcentagem de pessoas acessando isso ascendeu como um foguete , fazendo com que até os oficiais e advogados se pergunta que diabos estão colocando na água dessa gente hoje em dia.

Incidentalmente, só caso alguém venha com “m-m-m-mas a pornografia é uma válvula de escape, assim os pedófilos não estuprarão crianças na vida real”, cala a boca, você tá errado!

De acordo com Michael Bourke, psicólogo chefe da Polícia Federal dos EUA, 85% dos homens presos por porte de pornografia infantil já tinham abusado sexualmente de uma criança. 80% desses homens eram abusadores ativos – isso significa que eles abusavam de crianças na época em que foram presos.

Vou quotar toda a passagem, porque isso dirá mais do que eu jamais serei capaz de dizer.

“De acordo com o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas:

Num estudo sobre portadores de pornografia infantil, 40% já haviam vitimizado uma criança e estavam em posse de pornografia infantil. Desses presos em 2000 e 2011, 83% tinham imagens envolvendo crianças entre 6 e 12 anos; 39% tinham imagens de crianças de 3 e 5; e 19 tinham imagens de bebês com menos de 3 anos (Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas, Presos por Porte de Pornografia e Crimes Relacionados à Internet: Dados encontrados no Estudo Nacional Sobre Vitimização Juvenil Online).

É impossível separar o Entretenimento Adulto da exploração sexual infantil dado o fato que ambos operam embaixo da mesma estrutura de trabalho e, eventualmente, t em o mesmo público e mercado alvo. Se você não acredita em mim, procure um processo chamado Desensitization (que seria algo como insensibilizar, tornar insensível).

Ele diz que quanto mais você assiste algo e mais familiar você fica com isso, mais entediado você fica. É a ideia por trás das “drogas pra escapar”, exceto que, nesse caso, você começa com o seu pornô normal e adulto, eventualmente progride pra “ADOLESCENTES QUE ACABARAM DE FAZER 18 NO SPRING BREAK UHU!!!” e daí é só uma coçadinha e um pulo pra cair na terra da depredação infantil.

Voltemos à indústria e vamos fingir que membros da pornografia não estão rotineiramente estuprando crianças como profissão. Vejamos como a pornografia influencia os atores adultos envolvidos:

Vejamos como a Belladonna, um dos maiores nomes na indústria pornô (tida pela CNBC como uma das 12 mais populares estrelas pornô), tem a dizer sobre suas experiências:

“Eu gosto de esconder – esconder tudo, sabe? Eu não estou feliz… eu não gosto de mim de forma alguma, meu corpo inteiro sente quando estou fazendo as cenas e é tão… tão nojento.”

É bom destacar que, durante uma entrevista em 2003 com Diane Sawyer pro Primetime, Belladonna caiu no choro. Quando Sawyer a pergunto “Você sempre conta essas coisas horríveis que aconteceram com você. Mesmo assim, você sempre sorri. Por quê?” o sorriso de Belladonna sumiu e seus olhos encheram d’água. “É pra que eu não comece a chorar.”

Oh, merda. Isso não foi muito positivo. E essa é uma mulher que a indústria chama de “Contrato”; querendo dizer que ela tem um. Com o nome sendo quase como uma marca, ela tem um pouquinho de controle sobre com quem ela grava e quais cenas ela grava.

Deve ser notado o fato que Belladonna se recusou a fazer qualquer outra entrevista com a ABC, seguida de algumas objeções fortes em elogios feitos à ela por líderes da indústria pornô.

Outro nome grande, Jenna Jameson, já declarou que

“A maioria das garotas começa com filmes gonzo – nos quais elas são levadas em um apartamento-estúdio de merda em Mission Hills e são penetradas em todos os buracos possíveis por um bosta que acredita que o nome dela é Vadia. E essas garotas, das quais algumas devem ter o potencial pra se tornar estrelas grandes na indústria, vão pra casa jurando nunca fazer isso de novo por ter sido uma experiência tão horrível.”

O último quote – e possivelmente o pior de todos – vem de Linda Lovelace, a primeira estrela pornô moderna. Conhecida pelo filme Garganta Profunda, Linda Lovelace é creditada por ter ajudado a criar a indústria pornô como conhecemos hoje. Que seja, a experiência a deixou marcada, como ela conta em suas próprias palavras:

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“Em respostas às sugestões deles, eu o informei que não me envolveria em prostituição de forma alguma e o avisei que queria ir embora. [Traynor] me batia e o abuso psicológico começou também. Eu literalmente me tornei uma prisioneira. Eu não era autorizada a sair de sua vista, nem mesmo pra ir ao banheiro, onde ele me assistia pelo buraco na porta. Ele dormia em cima de mim à noite, ele ouvia meus telefonemas com uma calibre 45 apontada pra mim. Eu apanhava e sofria abuso psicológico todo e cada dia. Ele cortou minhas ligações com outras pessoas e me forçou a casar com ele, aconselhado pelo seu advogado.”

Outro quote, igualmente perturbador, documenta sua primeira experiência na pornografia:

“Minha iniciação na prostituição foi um estupro grupal de cinco homens, arranjado pelo Sr. Traynor. Foi um ponto determinante na minha vida. Ele ameaçou atirar em mim se eu não continuasse. Eu nunca tinha experimentado sexo anal antes e isso me partiu ao meio. Eles me trataram como uma boneca inflável, me pegando e me colocando aqui e ali. Abrindo minhas pernas assim ou assado, enfiando suas coisas em mim e dentro de mim, brincando de dança das cadeiras com as partes do meu corpo. Eu nunca me senti tão assustada e desgraçada e humilhada na minha vida. Eu me senti como lixo. Me envolvi em atos sexuais por pornografia contra a minha vontade pra evitar ser morta. As vidas de meus familiares foram ameaçadas.”

Agora, o que a maioria das pessoas não sabem e que é, possivelmente, a pior coisa que Lovelace presenciou. Por um vislumbre de horror, há um vídeo tão horrível que ela se recusou a reconhecer que participou nele de qualquer forma, até uma cópia vazou e a prova conclusiva foi dada.

É chamado “Cachorro Comedor” e é, provavelmente, auto-explicativo. Linda Lovelace é forçada a ser penetrada por um cachorro, em frente à câmera, contra sua vontade. Ela foi forçada a gravar depois de seu marido/agente/abusador/estuprador apontar uma arma em sua cabeça e lhe dar duas opções: gravar o filme ou comer uma bala. Eu não vou entrar em mais detalhes, isso é suficiente pra dizer o tipo de abuso que tem sido pra grande parcela da pornografia desde sua inserção moderna, nos anos 70.

Agora esse texto já tem mais de 2000 palavras, então eu vou encerrar com o seguinte pensamento:

Se fosse qualquer outra indústria, qualquer outra profissão, com esses depoimentos e essas estatísticas, ALGUÉM defenderia? Seria considerado ao menos defensável? As pessoas boicotaram o Wal-Mart por muito menos!

Pornografia no entanto, parece ser intocável; pessoas ‘sex-positive’ argumentam que é uma maneira saudável de manifestar a sexualidade adulta gravada pro prazer sexual de outros adultos – mas o ponto é que as estatísticas provam o contrário e conclusivamente mostram que o pornô não só influencia negativamente a sexualidade dos indivíduos como diretamente influencia a maneira como eles veem (e tratam) os outros (pra pior).

Texto Original escrito por Lesbolution.
http://lesbolution.com/post/77424008474/tw-discussion-of-child-pornography-bestiality-rape

Alguns motivos para ser CONTRA o Projeto de Lei João W. Nery

Jean Wyllys e João Nery. Uma tristeza que a história do João esteja sendo usada para oportunismo.

 

 

Com as eleições chegando, os direitos da população LGBT viram oportunismo. A Marina Silva, atendendo aos pedidos de quem vai fazer campanha pra ela (os fundamentalistas), voltou atrás do programa pra questões LGBT que o PSB tinha formulado um dia antes. Entre outras medidas, ela retirou o apoio à criminalização da homofobia, e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. E ela também mudou a posição sobre a Lei João Nery, que é um projeto do Jean Wyllys (o mesmo que quer legitimar a cafetinagem através de outro PL absurdo e irresponsável). Em vez de lutar pela aprovação da lei, ela se comprometeu a impedir os “entraves burocráticos” pra ela ser aplicada, mas só no caso dela ser aprovada pelo congresso. A maioria das pessoas ainda não tá ciente do conteúdo dessa lei, e de porque ela é contraditória com a luta pelos direitos das mulheres e LGBT. Essa lei fala em proteger a “identidade de gênero” de travestis, transgêneros e transexuais. Se ela for aprovada, a AUTODECLARAÇÃO será o único critério para uma pessoa colocar em seus documentos se é homem ou mulher. Quais são as consequências práticas? São várias , mas só pra falar as mais imediatas:

QUALQUER PESSOA PODE DIZER QUE É MULHER, PASSANDO AUTOMATICAMENTE A
TER AS DEVIDAS GARANTIAS LEGAIS.

   Nos EUA, onde alguns estados já adotaram leis semelhantes, existem casos de estupradores que reivindicam serem transferidos para presídios femininos porque se “declaram como mulheres” ! Ou casos de esportistas do sexo masculino que usam essas leis para competirem em equipes femininas, tirando vantagem do mais peso e altura. Ou ter acesso a programas sociais específicos para mulheres. Como a Lei João Nery não tem critério nenhum (ou seja, é irresponsável), vai ser impossível distinguir uma pessoa que realmente é transgênero de alguém que esteja usando a “identidade de gênero” como pretexto para ocupar o espaço das mulheres ou como álibi para atacar as mulheres.

Essa é uma declaração que uma pessoa que milita pelos direitos trans fez em seu Twitter. ”Se Hitler fosse trans, ainda não estaria certo o colocar em uma prisão masculina ou negá-lo tratamento adequado.”

Alguns crimes cometidos por ‘mulheres’ trans (ou que, pelo visto, poderiam se autodeclarar como após serem pegos) contra mulheres ou crianças (ou seja, criminosos misóginos que estariam em penitenciárias femininas caso houvesse uma lei tipo a João Nery os amparando):

Tyler Holder estuprou e matou uma menina de 6 anos

Levandus Gacutan é acusado de agressão sexual grave, pondo em risco uma criança e a envolvendo em prostituição. Gacutan agrediu sexualmente um menino de 12 anos de idade.

Qasim Anwar, travesti, motorista de táxi estuprou uma mulher embriagada em seu carro.

Travesti foi presa por estuprar uma mulher com quem participou de sessões de bondage 

Estuprador fazia vítimas em Cambridge usando roupas femininas e maquiagem

Transexual que foi advertida por usar banheiro feminino foi condenada em 1990 por abuso sexual de uma menina e ‘indecência’ com uma outra menina envolvendo contato sexual.

Condenado por estupro colocado em prisão feminina

(A lista continua e é longa, mas pode ser acessada clicando aqui)

E eu não quero nem imaginar o que um ‘homem’ trans sofreria caso fosse colocado em uma penitenciária masculina….

O SUS NÃO PRECISARIA ACOMPANHAR PSICOLOGICAMENTE AS PESSOAS QUE QUEREM
PASSAR PELO PROCESSO DE TRANSEXUALIZAÇÃO

   Muitas pessoas que recorrem ao processo de transexualização fazem isso por causa de um sofrimento intenso por não se adequarem aos modelos patriarcais de comportamento considerados “adequados” para o seu sexo. A Lei João Nery dispensa o acompanhamento psicológico antes da transexualização, o que é deixar essas pessoas (inclusive crianças e adolescentes) em risco psicológico sério e permitir transexualizações sem que a pessoa tenha realmente amadurecido a decisão, com o risco de arrependimento (que não são incomuns). Olhem essa parte do projeto de lei:

”Artigo 8º – Toda pessoa maior de dezoito (18) anos poderá realizar intervenções cirúrgicas
totais ou parciais de transexualização, inclusive as de modificação genital, e/ou tratamentos
hormonais integrais, a fim de adequar seu corpo à sua identidade de gênero auto-percebida.
§1º Em todos os casos, será requerido apenas o consentimento informado da pessoa adulta e
capaz. Não será necessário, em nenhum caso, qualquer tipo de diagnóstico ou tratamento
psicológico ou psiquiátrico, ou autorização judicial ou administrativa.
§2º No caso das pessoas que ainda não tenham de dezoito (18) anos de idade, vigorarão os
mesmos requisitos estabelecidos no artigo 5º para a obtenção do consentimento informado.”

  É, no mínimo, irresponsável colocar pessoas pra passar por procedimentos médicos cirúrgicos sem acompanhamento psicológico. Qualquer tratamento ou cirurgia requer acompanhamento psicológico, seja ela feita por uma pessoa ‘trans’ ou não. Se arrepender dessa decisão é tão difícil quanto tomar essa decisão, conheça alguns casos de pessoas que quiseram ”voltar atrás” aqui, aqui, aqui e aqui.

OS PAIS VÃO PODER “MUDAR A IDENTIDADE DE GÊNERO” DOS SEUS FILHOS

QUANDO QUISEREM!

        Em alguns países, como o Reino Unido, é permitido usar hormônios em crianças consideradas transgêneros para impedir a puberdade, o que facilita a transexualização quando eles chegam à idade adulta. Ou seja, se um pai encontrar o filho brincando de boneca, ou a filha brincando de super-heroi, ele pode, de forma machista, imaginar que a
criança “na verdade” tem a identidade de gênero do sexo oposto. E pode começar a “tratar” medicamente um caso de “transgeneridade”, sem necessidade de nenhuma avaliação psicológica.

   

O que a Lei João Nery faz é usar as necessidades reais de travestis, transexuais e transgêneros (nome social, luta contra a violência, contra a discriminação nas escolas e no sistema de saúde,acompanhamento psicológico etc) de forma oportunista e que, na prática, vai abrir margem para atacar os direitos das mulheres e impor uma educação mais machista e homofóbica ainda para as crianças. Além disso, a lei prejudica as próprias pessoas transgêneros e transexuais, porque passa a ideia de que a transgeneridade, que envolve muitas questões psicológicas complexas, de que é uma simples escolha pessoal, anulando todos os fatores sociais que constroem essa ”identidade de gênero” e anulando todos os impactos sociais e políticos desse fenômeno.

  Conheça o projeto na íntegra: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1059446&filename=PL+5002/2013

  Ps.: Como vocês já sabem, o ‘Nosotras, Las Brujas’ é um blog Feminista Radical, portanto, critica a ideia de ‘transgeneridade’. Você pode conhecer mais dessa perspectiva lendo esse texto e esse.

 Esse texto foi escrito em parceria com o Rodrigo, do blog As Novidades de Sempre.

Se ”mulheres” trans são mulheres, então o que significa ser uma mulher?

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A máxima “mulheres trans são mulheres” é uma falsa equivalência que significa pelo menos três coisas.

Em primeiro lugar, isso significa que ser criada como menina desde o nascimento não é um aspecto importante ou relevante do que significa ”ser mulher”, porque qualquer um pode ser mulher mesmo sem essas experiências de socialização.
Em segundo lugar, significa que ter um corpo feminino não é um aspecto importante ou relevante de ”ser mulher”, porque se pode ser uma mulher sem ter um corpo feminino.
E em terceiro lugar isso significa que ”ser mulher” é um reflexo de um desejo individual com relação a categoria social ”mulher”, ao invés de servir como atalho para as realidades físicas e psicológicas experienciadas por pessoas designadas meninas ao nascer (e intersexos também).

………..
Ser ”mulher” é ter sido designada à posição social (casta sexual) menina/mulher no nascimento (ou antes dele); uma identificação subjetiva com essa posição social é irrelevante e varia drasticamente.
Reduzir a experiência do que é ser mulher nessa sociedade a algo subjetivo definido como ”autoconhecimento/sentimento” invisibiliza as realidades materiais impostas às mulheres e meninas desde o nascimento– independentemente das mulheres gostarem de ser ”mulheres” ou não, e independentemente de ”identificação”.
Eu não vou banalizar essas realidades catastróficas a fim de “validar” as identidades subjetivas de alguns. Isso não é uma declaração de ódio, é uma recusa prática de priorizar a teoria da ”identidade” sobre as vidas reais das mulheres e o que o patriarcado, infelizmente, faz com as mesmas sofram.

Original em: http://sexnotgender.com/2013/09/23/if-transwomen-are-women-then-what-does-being-a-woman-mean/

O que significa um radical e a importância disso para o feminismo

   Resolvi escrever esse texto porque eu fico simplesmente abismada com a facilidade com que as pessoas conseguem distorcer as palavras ou como as pessoas usam as palavras sem saberem ao menos o que as mesmas significam. Aqui, especialmente, quero falar sobre a tão usada palavra: RADICAL.

 

   Primeiramente, vamos para a matemática (sim, matemática):

 

 

   Vocês lembram desse símbolo? Muito provavelmente sim.

   A palavra radical vem do latim radix ou radicis (zoeira do destino?) e significa RAIZ.

   Com isso, concluímos que não podemos entender o que é um radical sem entender o que significa raiz, já que ambos os termos estão interligados.

   Raiz é um número elevado a certa potência.

   Quando sua professora ou professor de matemática te pedia para achar a RAIZ CÚBICA ou RAIZ QUADRADA de certo número, ela/e queria nada mais nada menos saber que número multiplicado por ele mesmo (duas, ou três vezes etc) dava tal número.

   Exemplo: A raiz quadrada (quadrado = 2, elevado a segunda potência) de 9 é 3 pois 3 x 3 = 9.

   Certo? Certo.

   Ou seja, radical é que aquele número do qual você quer extrair uma raiz. Radical, só pra retomar, se refere à raiz, e essa raiz é extraída de certo número com a ajuda do radical.

   Curiosamente, a radiciação (bem como a potenciação) fazem parte da Matemática Moderna. Fenômenos históricos/culturais/sociais influenciam as ditas ciências exatas também, bem como a mesma influencia outras áreas do conhecimento (mas não é hora de discutir sobre a Modernidade).

   Desculpe-me se você já sabe disso.
   Sei que pareço estar desviando do assunto mas vocês verão onde eu quero chegar.

   Vamos falar de plantinhas.

   

 

   Essa é uma imagem ilustrativa de uma árvore. Como você pode perceber as raízes estão embaixo do solo, ou seja, nós não podemos vê-las (apesar de que as vezes nós podemos ver as raízes das árvores). A raiz é a base da árvore. É o que a mantém viva e de pé. A raiz alimenta a árvore. Se você arranca uma árvore pela raiz, esse é seu fim. Caso você não arranque a árvore pela raiz muito provavelmente ela nascerá novamente.

   Faremos uma comparação com o feminismo radical (finalmente!).

   Chamamos o feminismo de radical de FEMINISMO RADICAL porque, justamente, ele pretende acabar com a opressão das mulheres pela sua raiz, o patriarcado. O feminismo radical vê o patriarcado como a raiz do problema. O feminismo radical quer arrancar esse mal pela raiz para que ele não volte a crescer e dar frutos e para que ele pare de se alimentar da opressão das mulheres para manter viva essa desgraça. O feminismo radical quer abolir, erradicar, acabar com uma estrutura social opressiva para as mulheres.

 

   O feminismo radical não está interessado em reformar essas raízes para que essa árvore danosa cresça de forma ‘’menos incômoda’’.

   NÃO!

   Nós queremos ver essas raízes mortas.

   Portanto, ser radical não tem ESSENCIALMENTE a ver com ser subversivo, mas se torna subversivo ser radical na sociedade em que vivemos. Num contexto (neo)liberal onde muito reformismo é pintado com cor de revolução.

   Nós repudiamos isso.

   É totalmente desonesto dizer que feministas radicais não são ‘radicais’ pois ‘excluem’ determinados grupos marginalizados de sua militância. Dizer, por exemplo, que não somos ‘’radicais de verdade’’, ‘’verdadeiramente subversivas’’ pois só lutamos pelas mulheres e estamos ‘’nem aí’’ para os homens operários (e se vocês soubessem a relação de uma coisa com a outra, não diriam isso). 

   PARE!

   

   Além de querer fazer do feminismo ‘’a grande mamãe acolhedora de todas as opressões’’, com essa afirmação, você distorce o real significado da palavra RADICAL.

 

   Ou nós, de uma vez por todas, passamos a procurar, analisar e combater as ESTRUTURAS sociais que nos mantém oprimidas ou jogamos fora todo o esforço das mulheres que há anos lutaram por nós.

 

   Ps.: Recomendo, de verdade, esses vídeos que explicam a diferença de RADICAL e LIBERAL (possui legendas em português que podem ser ativadas)
https://www.youtube.com/watch?v=YkXrS0NnQM0&list=PLE063C407E36E53DA

Socialização Feminina

socialisation

Você é tão bonita.

Você é adorável.

Você é linda.

Você é minha linda garotinha

Doce mocinha

Cuidado! Não se machuque!

Não se suje!

Pare com isso.

Seja mais elegante.

Não coma demais.

Shhhh.

Silencio.

As meninas são buuurraaass!

As meninas têm piolhos.

Garotas não podem entrar aqui.

Hahahahaha! Você tem peitinhos!

Olhe para os peitos dela!

Peitos!

Peitos!

Peitos!

Peitos!

Ewwwww. Menstruação é nojento.

Você é nojenta.

Isso é nojento.

Hahahahaha! Você menstruou.

Peitos!

Deixe-me tocá-los!

Eu quero tocá-los!

Que nojo.

Vagabunda.

Você é nojenta.

Puta.

Deixe-me tocá-la.

Cachorra.

Eu só quero tocá-la.

Ela é uma vagabunda.

Virgem.

Vagabunda.

Virgem.

Vagabunda.

Você é uma vadia.

Mostre-me suas tetas.

Coloque-as para fora!

Escória.

Você quer isso, eu sei que você quer

Pegue-o.

Engula-o.

Vagabunda.

Prostituta.

Vadia estúpida.

Vadia gorda.

Você não é boa o suficiente para isso

Eu não tenho certeza que você pode fazer isso

Seios.

Boceta.

Eu só quero te foder.

Vamos lá, eu sei que você quer.

Você não está confiante o suficiente.

Você precisa de mais experiência.

Ninguém vai te levar a sério.

Vagabunda.

Você é muito emotiva.

É apenas uma piada.

Relaxe.

Sorria.

Eu não me importo com o que você pensa.

Eu só quero te foder.

Peitos.

Não use isso.

Vagabunda.

Você está ficando gorda.

Você está muito confusa.

Vamos lá, era apenas uma piada.

Não seja uma idiota.

Por que você está tão cansada?

Pra ser honesto, eu realmente não estou interessado.

Você faz isso.

Estou ocupado.

Eu não posso, estou trabalhando.

Você acorda com ele.

Você cuida dele.

Você está confusa.

Estou muito ocupado, você faz.

Você precisa perder peso.

Você não gasta tempo suficiente comigo.

Você não é interessante.

Você é chata.

Realmente, eu não estou interessado nisso.

Você está parecendo um pouco cansada.

Você deveria cuidar mais de si mesma.

Você deveria cuidar mais de mim.

Você está um pouco velha.

Você é velha.

Rugas.

Flácida.

Ranzinza.

Grisalha.

Feia.

Desfigurada.

Bruxa.

* invisível *

 

 

Ps.: Afirmar que existe socialização feminina não significa dizer que todas as mulheres foram educadas de forma igual, mas sim, que as mulheres são educadas para permanecerem em seus ”devidos lugares”, assim mantendo a estrutura social PATRIARCADO intacta. Apesar de cada mulher ter sido educada de forma diferente, não altera o fato de que o patriarcado é real e nocivo para as mulheres. O feminismo radical vê as mulheres enquanto uma casta/classe sexual oprimida. Também defende que a forma como socializam as meninas são construções sociais patriarcais, portanto, sendo estas construções SOCIAIS e não INDIVIDUAIS, a indivídua nunca pode furar ou ultrapassar as BARREIRAS SOCIAIS, afinal, uma pessoa só não muda a sociedade e a carga social, histórica e cultural de ser o que se é.

 

 

Original em: https://giaqualia.wordpress.com/2014/07/29/female-socialisation/

Odeio dizer isso para você, mas ”Butch” e ”Femme” também são ”gêneros”

  Muito tem sido escrito sobre a dicotomia butch/femme* e se isso é incompatível (ou não) com a libertação das mulheres. Na verdade, muito tem sido escrito sobre a “Identidade Butch” e a “Identidade Femme”, inclusive por lésbicas como Dirt* e Bev Jo* que são muito críticas quanto a ”identidade de gênero” (transgeneridade). Bev Jo sugere que a “Identidade Butch” é a “verdadeira identidade da mulher” porque a mesma não atende ao olhar masculino, concluindo assim que Butches são de alguma forma mais oprimidas do que Femmes (que, presumivelmente, são Femmes porque querem atender ao olhar masculino).
Há uma falta de percepção, ao que me parece, entre estas ativistas críticas da ‘trans’generidade* de que Butch e Femme também são “gêneros”. E embora você possa chegar a uma conclusão diferente sobre os danos relativos ou benéficos de Butch e Femme como “beleza” ou práticas “culturais” de mulheres do que a conclusão que você chegaria sobre de um homem adulto de decidir que ele é uma ”lady” e tentar entrar em espaços exclusivos para mulheres (eu sei que eu faria isso), me parece um pouco desonesto não ver que Butch e Femme fazem parte da grande bola de bosta que chamamos de Gênero. Pelo menos dois aspectos neste debate podemos explorar. Em primeiro lugar, o realmente pessoal. Você é lésbica. Você se identifica como Butch (ou Femme). Você acha “a outra” sexualmente atraente e procura estar com ela.

Isso é incrível.

Aproveite.

Fico feliz por você.

 Eu não estou interessada em analisar as suas vontades neste texto. Isto é, o debate NÃO é sobre isso. Você pode querer fazer isto, mas suas atrações pessoais são suas. Aproveite!
Em segundo, e mais importante para este texto, a dinâmica “Butch/Femme” é algo que pode e deve ser analisado para além dos seus desejos pessoais. Ou seja, feministas radicas têm a obrigação de problematizar o que esses conceitos de Butch e Femme significam e representam na nossa cultura (assim como nós problematizamos práticas nocivas de beleza como o uso de maquiagem, depilação, saltos altos, roupas desconfortáveis, etc.)

Nós precisamos criticar imagens como esta:

images

(Esta imagem arruinou minha vida.)

  Como feministas, nós precisamos questionar frequentemente, e aqui estão alguns assuntos discutidos:

  Como o mundo percebe e trata você, e o que isso quer dizer sobre nossa sociedade e quem isso valoriza.

  Como as identidades Butch e Femme são dois lados da mesma moeda de uma classe/casta sexual que limita o potencial completo do que uma mulher pode ser.

  Como Butch and Femme funcionam (quase) do mesmo modo que o ‘gênero’ que nós criticamos quando criticamos a ideia de ‘trans’generidade.

  Não é muito diferente.

  Se você acha que é diferente, então como? Com que base? Porque você sabe qual é “o estado natural da Mulher”?

  Você tem uma máquina do tempo?

  Você pode me dar uma carona?

  O sempre citado Ariel Levy diz algo em “Female Chauvinist Pigs” que eu gosto de citar porque isso cabe no que conversamos quando falamos sobre (Trans)Gênero:
 

  ”Americanos desistiram da ideia-ou tentaram, ou fingiram- que há certas características e qualidades que são essencialmente de negros e essencialmente de brancos há muito tempo atrás. No mínimo nós podemos dizer que isso seria considerado descontroladamente ofensivo e completamente idiota articular ideias como essa agora. Mas de alguma forma nós não pensamos duas vezes antes de querer ser “como um homem” ou ao contrário de uma “garota feminina”. Como se essas ideias ainda significassem alguma coisa. Como qual homem? Iggy Pop? Nathan Lane? Jesse Jackson? Jesse Helms? Isso é uma maneira incrivelmente pouco sofisticada para pensar sobre ser um “ser humano”, mas as pessoas inteligentes fazem isso o tempo todo.

  Butch e Femme não são “especiais” ou imunes da critica porque fazem parte da cultura lésbica. De fato, pode-se argumentar que Butch/Femme pavimentaram o caminho para a ‘trans’generidade, com várias ”ex Butches” (Pat Califa, Leslie Feinberg) virando ‘trans’homens.

I used to be Butch. Now I am a man.                               (Eu costumava ser uma Butch. Agora eu sou um homem.)

  E a “opressão” que “Butches” passam não é mais válida, mais importante ou mais opressiva que a opressão que “Femmes” experimentam – isto está tudo enraizado na misoginia – mas ao invés de focar no problema (Patriarcado, Homens), algumas Mulheres em algumas comunidades Lésbicas decidem fazer com que Femmes sejam inimigas de Butches.

  Que lixo.

DOES THIS WISTERIA MAKE ME SEEM MORE FEMININE?(Essa Wisteria me faz parecer mais feminina?)

  Isso é política identitária!

  Hey, Butches, algumas vez lhes ocorreram que quando vocês são discriminadas é porque vocês são “visivelmente lésbicas” com base em estereótipos culturais do que uma “mulher” (ou seja, Mulher heterossexual) deve se parecer? Portanto não é na verdade a ”Opressão Butch” que você sofre – é misoginia. Alguma vez lhe ocorreu que mulheres heterossexuais ”gênero-inconformes” têm problemas semelhantes? ( aqui vai uma dica – elas tem).
E Butches, Femmes obtém um assédio maciço que, muitas vezes, nós não temos (eu não me identifico como Butch, mas me comparam com uma Butch o suficiente para eu achar que eu me incluo nisso, embora eu tenho certeza que alguns crentes ”True Butch” digam “oh ela não é uma Butch de verdade”, bela bosta.) Vejamos o assédio na rua, por exemplo. Eu tenho amigas “Femmes” que tem suas partes íntimas agarradas. Perguntaram se elas estavam “trabalhando”. Isto está enraizado em, mais uma vez, misoginia. É diferente do tipo de assédio na rua que eu sofro. (Me chamam de “sapatão”.)

  O ”privilégio femme” se configura em ”agradar o olhar masculino”?

  É “culpa delas”?

  Será que isso importa como somos assediadas na rua?

  É uma forma de assédio mais importante do que a outra?

  Você percebe que você soa como um ”transativista” * ?

  Até nos vermos todas como mulheres, todas vítimas como Mulheres da Grande bola de Merda que nós chamamos de Gênero (lembra do gênero? Uma ferramenta, uma estratégia intencional para garantir que as mulheres saibam o seu papel como incubadoras e prostitutas?), você está envolvida em decidir quem é ”a mais oprimida”.

  Butch como política de identidade! Assim como ‘transativistas’.

  Apenas parem.

  Não existe um “estado natural” da Mulher na cultura ocidental. Estamos todas fodidas psicologicamente pela nossa cultura. Cada uma de nós.

  Se pudermos entender isso, e, em seguida, dirigir o olhar para “a razão” pela qual estamos todas fodidas psicologicamente (OLÁ GÊNERO. OLÁ PATRIARCADO), talvez seja um começo.

  Ah, e tente ter um pouco de compaixão. Conheça mulheres de onde elas REALMENTE estão, não de onde você acha que eles deveriam estar.

[Butch/Femme são termos usados nas ”comunidades lesbianas”, sendo a ”Butch” a lésbica menos feminizada e a ”Femme” a mais feminizada]

[Dirt: http://dirtywhiteboi67.blogspot.com.br/]

[Bev Jo: http://bevjoradicallesbian.wordpress.com/]

[Ativistas críticas da ‘trans’generidade são aquelas que se preocupam em problematizar o conceito de ‘trans’generidade bem como as influências políticas na nossa cultura desse fenômeno. Alguns exemplos são: Cathy Brennan, Dirt, Bev Jo, Sheila Jeffreys, Elizabeth Hungerford..]

[”Transativistas” seriam ativistas que militam pelos direitos de pessoas ditas ‘trans’ e que defendem as políticas identitárias]

Original em: http://genderfatigue.com/2013/05/31/hate-to-break-it-to-you-but-butch-and-femme-is-also-gender/

(tradução) ”Evitando lidar com o dinossauro” NOMEIE O PROBLEMA: a violência masculina rege todas as outras violências

Evitando lidar com o dinossauro

De Elaine Charkowski

Em resposta à minha declaração “violência masculina é o pior problema do mundo”, uma mulher me mandou um email onde dizia: “Não acredito que a violência masculina seja a causa dos problemas do mundo, mas um sintoma de um sistema doente que produz homens violentos e mulheres submissas. Se você diz que homens violentos são o problema, então a solução seria excluí-los ou eliminá-los?” Então escrevi em resposta:

Homens violentos criaram o “sistema doente que produz homens violentos e mulheres submissas”, que é o patriarcado. Então, mantenho minha declaração de que a violência masculina é o pior problema do mundo. Além disso, tracei como a causa de todos os “ismos” e opressões a violência masculina. Elas incluem o racismo, o sexismo e a colonização, externa e interna. Colonização interna é ver a si mesmo através dos olhos do opressor.

A violência masculina também é a causa do genocídio, da guerra, homofobia, nacionalismo, crueldade com animais, escravidão, opressão econômica, prostituição bem como todas as escravidões sexuais, e abuso de crianças.

A violência masculina inclui a exploração do planeta Terra e todos os seus recursos (animais, vegetais e minerais). É o assassínio sistemático do Mundo Vivo, do qual a humanidade e todas as criaturas vivas dependem.

Como poderíamos resolver o problema da violência masculina, o pior problema do mundo? Por onde começar? Homens controlam todo o poder instituído. Tais poderes incluem a força militar, a educação, a tecnologia, as leis, a economia, a mídia e as religiões com figuras centrais masculinas (auxílio espiritual para suas atrocidades terrenas).

Não posso resolver o problema da violência masculina por minha própria conta. No entanto, o que posso fazer é apontar a violência masculina como o pior problema do mundo. Porque apontar uma opressão e os opressores é o primeiro passo em direção ao seu término. Não me deixarei ser desencorajada, desviada ou distraída disso.

Delego a responsabilidade de se acabar com a violência masculina aos homens. Isso inclui homens não violentos porque todos os homens se beneficiam em um mundo onde a violência masculina existe, especialmente violência masculina contra mulheres.

Quanto mais e mais mulheres e homens atendam ao chamado e evidenciem que a violência masculina é o pior problema do mundo, mais e mais pessoas podem oferecer suas soluções. Podemos aprender uns com os outros e criar a sinergia necessária para acabar com esse horror. Felizmente centenas de milhões de mulheres e homens irão em breve se juntar a essa discussão.

Questões que devemos fazer a nós mesmas.

Apontar a violência masculina como o pior problema do mundo é uma ameaça séria ao patriarcado, a estrutura social que permite o poder da violência masculina? Acredito que sim porque contorcionismos linguísticos, generalizações, ofuscamentos e negações são incrivelmente numerosas e variadas. Sua repetição interminável revela que a violência masculina deve ser apontada como o maior problema no mundo. Apontar a violência masculina ameaçará o poder dos homens violentos — e também dos homens em geral, que se beneficiam do sistema patriarcal. Qualquer possível desculpa pode ser usada para evitar apontar a violência masculina como o pior problema do mundo!

Entre elas: “Nem todos os homens são violentos”, “Isso é culpa do capitalismo”, “Mulheres são violentas também”, “Isso é culpa do racismo”, “Isso é colonização”, “Isso é genocídio”, “Mulheres se aliam a homens contra mulheres”, “Mulheres se beneficiam da violência masculina”, “É culpa das armas”, “Homens também sofrem com o patriarcado”, “Sociedades violentas geram homens violentos”, “E o que você me diz da Margaret Thatcher?”, “Mulheres também oprimem mulheres”, “Amo os homens em minha vida que não são violentos”, etc.

O sofrimento daqueles que são diretamente afetados pelos vários tipos de violência masculina pode fuscar e tirar o foco da violência masculina. Logo, mulheres dirão que o sexismo é o pior problema, pessoas de outras etnias dirão que o problema é o racismo, judeus dirão que é o anti-semitismo, e assim sucessivamente. Porém, o fato é que HOMENS são o denominador comum em todos estes abusos. Mesmo quando mulheres se aliam a homens, ou um membro de uma raça dominada se alia a racistas, isso ainda não muda o fato de que homens estão no comando, [os dominados] como colaboradores não mudam o fato de que os nazistas estavam no poder.

Qual o motivo que nos impede de apontar a violência masculina como o pior problema do mundo? É uma ideia original de nossas mentes ou internalizamos essa resistência imposta pelo patriarcado numa tentativa de auto-preservação? Teríamos sido mentalmente colonizadas para evitar apontar a violência masculina de modo a não despertar e acabar com esses 6 mil anos de carnificina?

No artigo “<a href=”http://www.alternet.org/gender/what-it-about-men-theyre-committing-these-horrible-massacres”>What is it About Men That they’re Committing These Horrible Massacres?</a>” de Meghan Murphy, ela escreve:

“Mas e os homens?” É uma questão que vem sendo evitada pelo mainstream nos casos de assassinatos em massa. A tragédia recente em Newtown, Connecticut disseminou milhares de discussões através do continente sobre legislação sobre armas, doenças mentais e violência. E tristemente, isso não é novo.

Ela continua, “no cerne deste horror, estamos nós, compreensivelmente, indignadas, exigindo mudanças, em luto durante todo o tempo. Mas dentro desta justa raiva, estamos evitando lidar com o denominador comum. Nas 31 escolas onde ocorreram tiroteios desde 1999, todos os assassinos eram homens.”

Por que homens e mulheres hesitam em falar a verdade, que a violência masculina é o pior problema do mundo? Mulheres temem que ao apontar a violência masculina fará com que homens violentos as estuprem e as matem? Porque eles já estão fazendo isso.

“Going out of our minds” é um livro de Sonia Johnson onde ela foca na violência masculina contra mulheres. No capítulo 10 chamado “Telling the Truth”, Johnson escreve que “ser mulher/fêmea é o motivo em si primordial para estar em servidão, para ser odiada, ferida e morta em todos os países, em cada uma das culturas do mundo.”

As mulheres estão com medo que os homens de suas vidas pararão de amá-las caso de pronunciem e apontem a violência masculina? Se esses homens se opõem a esta violência, eles irão entendê-las e seu amor irá tolerar isso.

Será que as mulheres temem encarar o dolorosa e decepcionante fato de que vivemos em um mundo em que os homens destilam tanto ódio e desprezo por elas? Não são justamente a epidêmica violência masculina contra mulheres e a industria multimilionária e dominada por homens da pornografia, onde mulheres são diminuídas, torturadas e até mortas, provas do ódio e do desprezo generalizado dos homens [pelas mulehres]? Sonia Johnson escreveu sobre quando sua filha telefonou-lhe certa noite. “Ela disse em uma voz atipicamente baixa, angustiada, desnorteada, uma voz muito vacilante, ‘Mãe, por que os homens nos odeiam tanto?'”

Será que os homens não-violentos temem que os homens violentos irão ridicularizá-los, bater neles ou até mesmo assassiná-los por traírem a Irmandade ao se oporem à violência masculina? Eles já sofrem isso.

A mensagem aos homens não-violentos é que ao trair a Irmandade eles serão ridicularizados, desprezados, apanharão e até mesmo serão mortos. Homens brancos que se opõem a homens racistas nos EUA não raro apanham ou são assassinados por homens brancos racistas.

Muito espaço tem-se dado à aceitação do homem violento para que extravasem sua depravação sem limites (o assassinato em massa do povo judeu, de povos indígenas, negros, mulheres drurante a queima das bruxas, genocídios nacionalistas, “limpeza étnica”, etc). Entretanto, não existem muitos espaços seguros para homens não-violentos falarem. A mensagem que os homens não-violentos recebem dos assassinatos de Gandhi, MLK, dos Kennedy e outros homens não-violentos é bastante clara. Homens não-violentos têm a faca e o queijo na mão. A faca é a ridicularização, espancamentos e assassinatos. Porém, o queijo é o privilégio masculino, cuja perda também pode silenciar muitos homens não-violentos.

Essas são as razões para o silêncio, mas não justificativas. Homens não-violentos não devem mais permanecer no silêncio e evitarem de apontarem a violiencia masculina como o pior problema do mundo. Quem cala, nesse caso, consente.

Mulheres e homens estão com medo de que não saberemos como construir um novo mundo baseado em bondade e respeito? Estamos com medo de assumir pessoalmente essa responsabilidade de criar tal mundo?

Homens violentos já estão matando mundo e tudo o que há nele! O que mais teremos de perder para apontar a violência masculina como o pior problema do mundo e abordar essa questão?

(tradução) De onde vem a sua mordaça? BDSM é a erotização de torturas antigas.

ALERTA: racismo sexualizado + misoginia, escravidão.
Publicado originalmente em: http://gynocraticgrrl.tumblr.com/post/38099240634/where-your-gag-comes-from

Aparentemente, para algumas pessoas (na maioria das vezes brancas, na minha experiência**), é difícil compreender que a cultura do fetiche do BDSM está ligado com o racismo e com a misoginia, particularmente na sexualização das praticas de tortura contra mulheres negras.  Isso se tornou claro para mim durante os meses que fiquei comparando as semelhanças sinistras entre a dinâmica mestre/escravo, da cultura do BDSM, e a dinâmica mestre/escravo que foi muito praticada através de papéis de gênero patriarcais entre homens e mulheres, assim como na escravidão… que muitas pessoas fazem um esforço para traçar paralelos entre as técnicas de tortura que escravos foram submetidos a e os métodos de punição da cultura do BDSM. Desde as chicotadas até as mordaças.

Disseram-me, baseado na confusa recepção desse argumento, que eu precisaria apresentar imagens. Essa postagem contém imagens e ilustrações que podem ser perturbadoras para algumas pessoas. Este não será o meu post final sobre o tema, mas é uma introdução para um muito maior, com mensagens mais elaboradas abordando as narrativas racistas-patriarcais replicadas na cultura do BDSM (isso não exclui as práticas de dominação feminina, que eu vou estar escrevendo sobre em posts futuros).

 

 Primeiro eu gostaria de usar como exemplo a mordaça. Um instrumento de tortura usado em “cabeças de negros, como punição para o consumo de álcool e ingestão de terra”

 

Imagem

 

[Slave Mask: Image Reference, NW0191.

Source: Jacques Arago, Souvenirs d’un aveugle. Voyage autour du monde par M. J. Arago … (Paris, 1839-40), vol. 1, facing p. 119]

 

 

Enquanto o anel de estanho …

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[Slave Mask Image Reference, NW0192. Source: Thomas Branagan, The Penitential Tyrant; or, slave trader reformed (New York, 1807), p. 271. (Copy in Library Company of Philadelphia; also Library of Congress, Prints and Photographs Division, LC-USZ62-31864)]

… Foi usada para punir “embriaguez nas mulheres”, e a máscara funciona como uma “punição e prevenção de …. comer terra.”

 

Em alguns casos, juntamente com as mordaças, “… uma chapa de ferro era colocada pela boca, e assim efetivamente mantida abaixo da língua, evitando com que algo pudesse ser ingerido, nem mesmo a saliva. Uma passagem para isso era feita através de furos na boca … quando era muito usada, se tornava tão aquecida que frequentemente trazia pedaços de pele junto.

Aqui está outro exemplo de uma máscara de estanho utilizada por senhores de escravos brasileiros, por razões documentadas como parar “, … [escravos] que estavam propensos a comer terra ou vestir roupas sujas …”

Imagem

 

[A water color by Jean Baptiste Debret (held by a museum in Rio de Janeiro); published in Ana Maria de Moraes, O Brasil dos viajantes (Sao Paulo and Rio de Janeiro, 1994), image 469, p. 93. Also published in Jean Baptiste Debret, Viagem Pitoresca e Historica ao Brasil (Editora Itatiaia Limitada, Editora da Universidade de Sao Paulo, 1989), p.128, a reprint of the 1954 Paris edition, edited by R. De Castro Maya). (source: University of Virginia)]

 

Instrumentos de tortura com uma história misógina

 

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“Uma ”scold” (mulher rabugenta) era definida como: Uma mulher problemática e raivosa, que por brigas e disputas entre seus vizinhos quebra a paz pública, aumenta a discórdia e se torna uma perturbação da ordem pública para o bairro”

O dispositivo para repreensão usado foi um focinho de ferro, máscara ou gaiola de metal ao redor da cabeça. Havia um freio de ferro projetado para dentro da boca, que ficava no topo da língua. Este dispositivo impedia a mulher de falar. Em alguns casos, o freio de ferro era cravejado com picos que provocavam dor, caso a vitima falasse. Alguns ”branks” tinham um sino para chamar atenção enquanto a mulher caminhava pela rua. A mulher seria humilhada pela zombaria e comentários de outras pessoas.

FREIO PARA AS ”SCOLD’S”

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[Freio para Scold’s: Esta foi uma armação de metal colocada sobre a cabeça de uma mulher. Ele tinha algo que ficava preso na boca dela para impedi-la de falar. O ”freio para scold’s” foi usado na Escócia por volta do século 16 e foi usado na Inglaterra no século 17. Foi usado pela última vez na Grã-Bretanha em 1824].

Feito por ferreiros, era um dispositivo com uma gaiola, feita de ferro. Tinha cerca de nove polegadas de altura e sete polegadas de largura, e foi projetado para a cabeça da mulher. O tipo mais básico era feito de uma banda de ferro, que foi articulada ao lado e tinha uma parte saliente, ou um pedaço da língua, que pode ser plana ou com uma ponta, que ia para dentro da boca da mulher, para segurar a língua para baixo. Outra banda de ferro passava por cima de sua cabeça, na frente do que foi moldado para o nariz. Dependendo do projeto, o freio poderia ser desconfortável, doloroso ou torturante, e cicatrizes na língua não eram incomuns. Alguns tinham um sino preso a uma mola, que foi anexado ao freio, assim a portadora podia ser ouvida quando ela se aproximava.

Algumas casas tinham um gancho na parede, ao lado da lareira, onde a mulher ficava acorrentada até que ela prometesse se comportar. Apesar de por vezes aplicado a uma esposa incômoda pelo carcereiro local por pedido de seu marido, ou pelo próprio marido, era mais frequentemente uma sentença punitiva solicitada por um magistrado.

Freios judiciais eram mais elaborados, pois eles sempre tinham pelo menos uma ponta e podiam ser trancados. Eles também tinham uma cadeia ligada ao lado da embocadura, com um anel na extremidade. Isto poderia ser usado para humilhar publicamente a mulher, levando-a através da cidade, ou a torturando numa área designada por um período de tempo definido. A quantidade de tempo que o freio era usado poderia ser de 30 minutos a várias horas, dependendo da gravidade do delito, durante o qual a ”infratora” não seria capaz de comer ou beber. Também foi usado em bruxas para impedi-las de cantar ou fazer feitiços.

É bastante evidente que quando algumas mulheres, especialmente as mulheres de cor, argumentam que BDSM tem uma enorme quantidade de coisas racistas-misoginas incorporadas em suas práticas de escravidão, têm um argumento no mínimo considerável. Não é difícil entender o ponto de vista de que diz que algumas práticas pegam as coisas impregnadas de subordinação real e opressão das pessoas e transformam em um drama sexualizado que é apenas “diversão e jogos,” para os participantes (espero que consensuais) envolvidos.

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