(tradução) De onde vem a sua mordaça? BDSM é a erotização de torturas antigas.

por menstruakill

ALERTA: racismo sexualizado + misoginia, escravidão.
Publicado originalmente em: http://gynocraticgrrl.tumblr.com/post/38099240634/where-your-gag-comes-from

Aparentemente, para algumas pessoas (na maioria das vezes brancas, na minha experiência**), é difícil compreender que a cultura do fetiche do BDSM está ligado com o racismo e com a misoginia, particularmente na sexualização das praticas de tortura contra mulheres negras.  Isso se tornou claro para mim durante os meses que fiquei comparando as semelhanças sinistras entre a dinâmica mestre/escravo, da cultura do BDSM, e a dinâmica mestre/escravo que foi muito praticada através de papéis de gênero patriarcais entre homens e mulheres, assim como na escravidão… que muitas pessoas fazem um esforço para traçar paralelos entre as técnicas de tortura que escravos foram submetidos a e os métodos de punição da cultura do BDSM. Desde as chicotadas até as mordaças.

Disseram-me, baseado na confusa recepção desse argumento, que eu precisaria apresentar imagens. Essa postagem contém imagens e ilustrações que podem ser perturbadoras para algumas pessoas. Este não será o meu post final sobre o tema, mas é uma introdução para um muito maior, com mensagens mais elaboradas abordando as narrativas racistas-patriarcais replicadas na cultura do BDSM (isso não exclui as práticas de dominação feminina, que eu vou estar escrevendo sobre em posts futuros).

 

 Primeiro eu gostaria de usar como exemplo a mordaça. Um instrumento de tortura usado em “cabeças de negros, como punição para o consumo de álcool e ingestão de terra”

 

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[Slave Mask: Image Reference, NW0191.

Source: Jacques Arago, Souvenirs d’un aveugle. Voyage autour du monde par M. J. Arago … (Paris, 1839-40), vol. 1, facing p. 119]

 

 

Enquanto o anel de estanho …

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[Slave Mask Image Reference, NW0192. Source: Thomas Branagan, The Penitential Tyrant; or, slave trader reformed (New York, 1807), p. 271. (Copy in Library Company of Philadelphia; also Library of Congress, Prints and Photographs Division, LC-USZ62-31864)]

… Foi usada para punir “embriaguez nas mulheres”, e a máscara funciona como uma “punição e prevenção de …. comer terra.”

 

Em alguns casos, juntamente com as mordaças, “… uma chapa de ferro era colocada pela boca, e assim efetivamente mantida abaixo da língua, evitando com que algo pudesse ser ingerido, nem mesmo a saliva. Uma passagem para isso era feita através de furos na boca … quando era muito usada, se tornava tão aquecida que frequentemente trazia pedaços de pele junto.

Aqui está outro exemplo de uma máscara de estanho utilizada por senhores de escravos brasileiros, por razões documentadas como parar “, … [escravos] que estavam propensos a comer terra ou vestir roupas sujas …”

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[A water color by Jean Baptiste Debret (held by a museum in Rio de Janeiro); published in Ana Maria de Moraes, O Brasil dos viajantes (Sao Paulo and Rio de Janeiro, 1994), image 469, p. 93. Also published in Jean Baptiste Debret, Viagem Pitoresca e Historica ao Brasil (Editora Itatiaia Limitada, Editora da Universidade de Sao Paulo, 1989), p.128, a reprint of the 1954 Paris edition, edited by R. De Castro Maya). (source: University of Virginia)]

 

Instrumentos de tortura com uma história misógina

 

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“Uma ”scold” (mulher rabugenta) era definida como: Uma mulher problemática e raivosa, que por brigas e disputas entre seus vizinhos quebra a paz pública, aumenta a discórdia e se torna uma perturbação da ordem pública para o bairro”

O dispositivo para repreensão usado foi um focinho de ferro, máscara ou gaiola de metal ao redor da cabeça. Havia um freio de ferro projetado para dentro da boca, que ficava no topo da língua. Este dispositivo impedia a mulher de falar. Em alguns casos, o freio de ferro era cravejado com picos que provocavam dor, caso a vitima falasse. Alguns ”branks” tinham um sino para chamar atenção enquanto a mulher caminhava pela rua. A mulher seria humilhada pela zombaria e comentários de outras pessoas.

FREIO PARA AS ”SCOLD’S”

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[Freio para Scold’s: Esta foi uma armação de metal colocada sobre a cabeça de uma mulher. Ele tinha algo que ficava preso na boca dela para impedi-la de falar. O ”freio para scold’s” foi usado na Escócia por volta do século 16 e foi usado na Inglaterra no século 17. Foi usado pela última vez na Grã-Bretanha em 1824].

Feito por ferreiros, era um dispositivo com uma gaiola, feita de ferro. Tinha cerca de nove polegadas de altura e sete polegadas de largura, e foi projetado para a cabeça da mulher. O tipo mais básico era feito de uma banda de ferro, que foi articulada ao lado e tinha uma parte saliente, ou um pedaço da língua, que pode ser plana ou com uma ponta, que ia para dentro da boca da mulher, para segurar a língua para baixo. Outra banda de ferro passava por cima de sua cabeça, na frente do que foi moldado para o nariz. Dependendo do projeto, o freio poderia ser desconfortável, doloroso ou torturante, e cicatrizes na língua não eram incomuns. Alguns tinham um sino preso a uma mola, que foi anexado ao freio, assim a portadora podia ser ouvida quando ela se aproximava.

Algumas casas tinham um gancho na parede, ao lado da lareira, onde a mulher ficava acorrentada até que ela prometesse se comportar. Apesar de por vezes aplicado a uma esposa incômoda pelo carcereiro local por pedido de seu marido, ou pelo próprio marido, era mais frequentemente uma sentença punitiva solicitada por um magistrado.

Freios judiciais eram mais elaborados, pois eles sempre tinham pelo menos uma ponta e podiam ser trancados. Eles também tinham uma cadeia ligada ao lado da embocadura, com um anel na extremidade. Isto poderia ser usado para humilhar publicamente a mulher, levando-a através da cidade, ou a torturando numa área designada por um período de tempo definido. A quantidade de tempo que o freio era usado poderia ser de 30 minutos a várias horas, dependendo da gravidade do delito, durante o qual a ”infratora” não seria capaz de comer ou beber. Também foi usado em bruxas para impedi-las de cantar ou fazer feitiços.

É bastante evidente que quando algumas mulheres, especialmente as mulheres de cor, argumentam que BDSM tem uma enorme quantidade de coisas racistas-misoginas incorporadas em suas práticas de escravidão, têm um argumento no mínimo considerável. Não é difícil entender o ponto de vista de que diz que algumas práticas pegam as coisas impregnadas de subordinação real e opressão das pessoas e transformam em um drama sexualizado que é apenas “diversão e jogos,” para os participantes (espero que consensuais) envolvidos.

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