(tradução) ”Evitando lidar com o dinossauro” NOMEIE O PROBLEMA: a violência masculina rege todas as outras violências

por menstruakill

Evitando lidar com o dinossauro

De Elaine Charkowski

Em resposta à minha declaração “violência masculina é o pior problema do mundo”, uma mulher me mandou um email onde dizia: “Não acredito que a violência masculina seja a causa dos problemas do mundo, mas um sintoma de um sistema doente que produz homens violentos e mulheres submissas. Se você diz que homens violentos são o problema, então a solução seria excluí-los ou eliminá-los?” Então escrevi em resposta:

Homens violentos criaram o “sistema doente que produz homens violentos e mulheres submissas”, que é o patriarcado. Então, mantenho minha declaração de que a violência masculina é o pior problema do mundo. Além disso, tracei como a causa de todos os “ismos” e opressões a violência masculina. Elas incluem o racismo, o sexismo e a colonização, externa e interna. Colonização interna é ver a si mesmo através dos olhos do opressor.

A violência masculina também é a causa do genocídio, da guerra, homofobia, nacionalismo, crueldade com animais, escravidão, opressão econômica, prostituição bem como todas as escravidões sexuais, e abuso de crianças.

A violência masculina inclui a exploração do planeta Terra e todos os seus recursos (animais, vegetais e minerais). É o assassínio sistemático do Mundo Vivo, do qual a humanidade e todas as criaturas vivas dependem.

Como poderíamos resolver o problema da violência masculina, o pior problema do mundo? Por onde começar? Homens controlam todo o poder instituído. Tais poderes incluem a força militar, a educação, a tecnologia, as leis, a economia, a mídia e as religiões com figuras centrais masculinas (auxílio espiritual para suas atrocidades terrenas).

Não posso resolver o problema da violência masculina por minha própria conta. No entanto, o que posso fazer é apontar a violência masculina como o pior problema do mundo. Porque apontar uma opressão e os opressores é o primeiro passo em direção ao seu término. Não me deixarei ser desencorajada, desviada ou distraída disso.

Delego a responsabilidade de se acabar com a violência masculina aos homens. Isso inclui homens não violentos porque todos os homens se beneficiam em um mundo onde a violência masculina existe, especialmente violência masculina contra mulheres.

Quanto mais e mais mulheres e homens atendam ao chamado e evidenciem que a violência masculina é o pior problema do mundo, mais e mais pessoas podem oferecer suas soluções. Podemos aprender uns com os outros e criar a sinergia necessária para acabar com esse horror. Felizmente centenas de milhões de mulheres e homens irão em breve se juntar a essa discussão.

Questões que devemos fazer a nós mesmas.

Apontar a violência masculina como o pior problema do mundo é uma ameaça séria ao patriarcado, a estrutura social que permite o poder da violência masculina? Acredito que sim porque contorcionismos linguísticos, generalizações, ofuscamentos e negações são incrivelmente numerosas e variadas. Sua repetição interminável revela que a violência masculina deve ser apontada como o maior problema no mundo. Apontar a violência masculina ameaçará o poder dos homens violentos — e também dos homens em geral, que se beneficiam do sistema patriarcal. Qualquer possível desculpa pode ser usada para evitar apontar a violência masculina como o pior problema do mundo!

Entre elas: “Nem todos os homens são violentos”, “Isso é culpa do capitalismo”, “Mulheres são violentas também”, “Isso é culpa do racismo”, “Isso é colonização”, “Isso é genocídio”, “Mulheres se aliam a homens contra mulheres”, “Mulheres se beneficiam da violência masculina”, “É culpa das armas”, “Homens também sofrem com o patriarcado”, “Sociedades violentas geram homens violentos”, “E o que você me diz da Margaret Thatcher?”, “Mulheres também oprimem mulheres”, “Amo os homens em minha vida que não são violentos”, etc.

O sofrimento daqueles que são diretamente afetados pelos vários tipos de violência masculina pode fuscar e tirar o foco da violência masculina. Logo, mulheres dirão que o sexismo é o pior problema, pessoas de outras etnias dirão que o problema é o racismo, judeus dirão que é o anti-semitismo, e assim sucessivamente. Porém, o fato é que HOMENS são o denominador comum em todos estes abusos. Mesmo quando mulheres se aliam a homens, ou um membro de uma raça dominada se alia a racistas, isso ainda não muda o fato de que homens estão no comando, [os dominados] como colaboradores não mudam o fato de que os nazistas estavam no poder.

Qual o motivo que nos impede de apontar a violência masculina como o pior problema do mundo? É uma ideia original de nossas mentes ou internalizamos essa resistência imposta pelo patriarcado numa tentativa de auto-preservação? Teríamos sido mentalmente colonizadas para evitar apontar a violência masculina de modo a não despertar e acabar com esses 6 mil anos de carnificina?

No artigo “<a href=”http://www.alternet.org/gender/what-it-about-men-theyre-committing-these-horrible-massacres”>What is it About Men That they’re Committing These Horrible Massacres?</a>” de Meghan Murphy, ela escreve:

“Mas e os homens?” É uma questão que vem sendo evitada pelo mainstream nos casos de assassinatos em massa. A tragédia recente em Newtown, Connecticut disseminou milhares de discussões através do continente sobre legislação sobre armas, doenças mentais e violência. E tristemente, isso não é novo.

Ela continua, “no cerne deste horror, estamos nós, compreensivelmente, indignadas, exigindo mudanças, em luto durante todo o tempo. Mas dentro desta justa raiva, estamos evitando lidar com o denominador comum. Nas 31 escolas onde ocorreram tiroteios desde 1999, todos os assassinos eram homens.”

Por que homens e mulheres hesitam em falar a verdade, que a violência masculina é o pior problema do mundo? Mulheres temem que ao apontar a violência masculina fará com que homens violentos as estuprem e as matem? Porque eles já estão fazendo isso.

“Going out of our minds” é um livro de Sonia Johnson onde ela foca na violência masculina contra mulheres. No capítulo 10 chamado “Telling the Truth”, Johnson escreve que “ser mulher/fêmea é o motivo em si primordial para estar em servidão, para ser odiada, ferida e morta em todos os países, em cada uma das culturas do mundo.”

As mulheres estão com medo que os homens de suas vidas pararão de amá-las caso de pronunciem e apontem a violência masculina? Se esses homens se opõem a esta violência, eles irão entendê-las e seu amor irá tolerar isso.

Será que as mulheres temem encarar o dolorosa e decepcionante fato de que vivemos em um mundo em que os homens destilam tanto ódio e desprezo por elas? Não são justamente a epidêmica violência masculina contra mulheres e a industria multimilionária e dominada por homens da pornografia, onde mulheres são diminuídas, torturadas e até mortas, provas do ódio e do desprezo generalizado dos homens [pelas mulehres]? Sonia Johnson escreveu sobre quando sua filha telefonou-lhe certa noite. “Ela disse em uma voz atipicamente baixa, angustiada, desnorteada, uma voz muito vacilante, ‘Mãe, por que os homens nos odeiam tanto?'”

Será que os homens não-violentos temem que os homens violentos irão ridicularizá-los, bater neles ou até mesmo assassiná-los por traírem a Irmandade ao se oporem à violência masculina? Eles já sofrem isso.

A mensagem aos homens não-violentos é que ao trair a Irmandade eles serão ridicularizados, desprezados, apanharão e até mesmo serão mortos. Homens brancos que se opõem a homens racistas nos EUA não raro apanham ou são assassinados por homens brancos racistas.

Muito espaço tem-se dado à aceitação do homem violento para que extravasem sua depravação sem limites (o assassinato em massa do povo judeu, de povos indígenas, negros, mulheres drurante a queima das bruxas, genocídios nacionalistas, “limpeza étnica”, etc). Entretanto, não existem muitos espaços seguros para homens não-violentos falarem. A mensagem que os homens não-violentos recebem dos assassinatos de Gandhi, MLK, dos Kennedy e outros homens não-violentos é bastante clara. Homens não-violentos têm a faca e o queijo na mão. A faca é a ridicularização, espancamentos e assassinatos. Porém, o queijo é o privilégio masculino, cuja perda também pode silenciar muitos homens não-violentos.

Essas são as razões para o silêncio, mas não justificativas. Homens não-violentos não devem mais permanecer no silêncio e evitarem de apontarem a violiencia masculina como o pior problema do mundo. Quem cala, nesse caso, consente.

Mulheres e homens estão com medo de que não saberemos como construir um novo mundo baseado em bondade e respeito? Estamos com medo de assumir pessoalmente essa responsabilidade de criar tal mundo?

Homens violentos já estão matando mundo e tudo o que há nele! O que mais teremos de perder para apontar a violência masculina como o pior problema do mundo e abordar essa questão?

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